2009-05-22

PETROBRAS? SÓ A PRIVATIZAÇÃO ACABARÁ COM A FARRA


Empresa alvo de CPI do Mensalão teve mais 19 contratos com a Petrobras

Por Fábio Zanini, Lucas Ferraz e Rubens Valente, na Folha:


Alvo da CPI dos Correios após a revelação de que havia presenteado o então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, com um carro Land Rover, a empresa GDK, de Salvador (BA), foi contratada 19 vezes pela Petrobras após o término daquelas investigações, num total de R$ 584 milhões.Os contratos foram fechados entre 2007 e 2009. Para o mais alto, de R$ 199 milhões em novembro de 2007, a Petrobras dispensou a licitação.
A estatal é agora alvo de uma CPI específica, criada pela oposição na semana passada no Senado.O carro de Silvio Pereira, avaliado em R$ 73,5 mil, foi doado em 2004 pelo dono da GDK, mas o fato só foi tornado público em 2005, no auge do escândalo do mensalão.
Na época do presente, a GDK mantinha R$ 512 milhões em contratos com a Petrobras. O maior era a reforma da plataforma de exploração de petróleo P-34, no Espírito Santo.
Em seu relatório final, a comissão do Congresso considerou a doação um "caso exemplar de tráfico de influência".O relatório da CPI descreveu as investigações realizadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre obras tocadas pela GDK para a Petrobras.
Técnicos do tribunal detectaram irregularidades em contrato firmado entre a Petrobras Netherlands, subsidiária da estatal na Holanda, e a GDK, para a adaptação de uma planta da plataforma P-34, no campo de Jubarte (ES).O contrato, assinado em 2004 por US$ 88 milhões (hoje, R$ 176 milhões), poderia, segundo auditores do tribunal, ter sido firmado por um valor 35% mais baixo, ou US$ 64,8 milhões (R$ 129,6 milhões).
Há indícios, segundo relatório do TCU, de irregularidades de US$ 23 milhões (cerca de R$ 46 milhões). O processo ainda não foi concluído.O relatório aponta supostos erros na formulação do orçamento, falhas na execução do contrato, inclusão indevida de tributos, deficiências na fiscalização, pagamentos antecipados, divergência entre valores orçados e contratados.
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Por Reinaldo Azevedo 05:27 comentários (0)

PT ocupa diretorias e gerências estratégicas na Petrobrás
Por João Domingos, no Estadão:


Das 80 diretorias, gerências e assessorias graduadas da Petrobrás e suas subsidiárias, 17 foram entregues ao PT e a sindicalistas ligados ao partido, duas ao PMDB e duas ao PP. O restante é ocupado por funcionários de carreira.
O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, e a diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, foram nomeados pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo.No dia 6, o PT emplacou mais um militante na presidência da Petrobrás Biocombustível, a caçula das coligadas. Miguel Rossetto, ex-ministro de Desenvolvimento Agrário, substituiu Alan Kardec Pinto, que se aposentou.
A Petrobrás Biocombustível deverá assumir gradativamente as operações de logística de etanol e biodiesel e quer administrar os futuros dutos e terminais portuários que serão construídos pela Petrobrás. A empresa planeja também entrar na área de distribuição, o que lhe permitiria negociar os contratos com os grandes consumidores no mercado doméstico e as tradings internacionais.O PT controla ainda a secretaria-geral da Petrobrás e as gerências de novos negócios, recursos humanos, comunicação institucional, exploração e produção corporativa. Tem a presidência da Petroquisa e a presidência da BR-Distribuidora.
Dos sete cargos da diretoria executiva da Petrobrás, cinco foram entregues a petistas: a presidência e as diretorias Financeira e de Relações com Investidores (Almir Guilherme Barbassa), Exploração e Produção (Guilherme de Oliveira Estrella), Gás e Energia (Maria das Graças) e Serviços (Renato de Souza Duque).Ao PMDB foi dada a Diretoria da Área Internacional (Jorge Luiz Zelada) e ao PP a Diretoria de Abastecimento (Paulo Roberto Costa).
Essa predominância petista levou o PMDB a tomar posições radicais, como a exigência de que o petista Guilherme Estrella seja substituído por Paulo Roberto Costa para que o partido possa ter um comportamento favorável ao governo na CPI da Petrobrás. Costa foi indicado pelo PP, mas agora é defendido pelos peemedebistas.
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Por Reinaldo Azevedo 05:25 comentários (0)

Sarney propõe submeter estatal à Lei de Licitações

Por Eugênia Lopes, no Estadão:


Em meio à pressão do PMDB para conquistar diretorias na Petrobrás, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem projeto de lei complementar que, na prática, engessa a estatal do petróleo, criando uma "camisa de força" ao submetê-la à Lei de Licitações (Lei 8.666/93).
O projeto, porém, não restringe o loteamento de cargos na estatal.A proposta de Sarney surge, ao mesmo tempo, que o PMDB espera o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viagem ao exterior para definir os nomes e a forma de atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Petrobrás e a Agência Nacional de Petróleo.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), avisou que só pretende anunciar os nomes na quarta-feira.O projeto de Sarney, na gaveta havia um ano, regulamenta o artigo 173 da Constituição e estabelece que os administradores têm de ser escolhidos entre "cidadãos de reputação ilibada e notório conhecimento no ramo de atividade que constitui o objeto social".
O PMDB reivindica a diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, ocupada pelo petista Guilherme Estrella. Querem pôr na chamada diretoria de pré-sal Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da estatal, identificado como da cota do PP e, hoje, também vinculado ao PMDB.
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