2009-05-20

LULA, PASQUIM, PETROBRAS, CPI, MERCADANTE, COLLOR, IMPEACHMENT


O MUNDO DELES
O texto é longo. Mas é daqueles “de formação”.

Alguns leitores reclamam — poucos, é verdade, mas merecem atenção porque o fazem de modo até sensato — que, às vezes, dou excessiva atenção a questões que eles não consideram, assim, tão definidoras do jogo político. Preferem quando trato ou de teoria política mesmo ou quando entro na economia interna de Brasília, essas coisas. Pois eu lhes digo que certas ocorrências que parecem periféricas têm uma enorme importância porque caracterizam o espírito de um tempo, de uma época. Por isso dediquei um longo texto ao filme Ninguém Sabe O Duro que Dei, que conta a trajetória do cantor Wilson Simonal, e comentei as falas indecorosas de Ziraldo e Jaguar.

Por isso darei agora relevância a um episódio ocorrido na Empresa Brasileira de Comunicação, a EBC (ver post das 23h08).


Segue uma síntese do que noticiou a Folha Online:

A EBC (Empresa Brasil de Comunicação), antiga Radiobrás, decidiu na semana passada mudar a crítica semanal que o ouvidor da empresa faz sobre o jornalismo praticado pela "Agência Brasil". Na crítica, o ouvidor-adjunto Paulo Machado aponta diversos erros de informações em notícias veiculadas no noticiário da agência, colocando em dúvida a credibilidade da empresa.
Com o título "Credibilidade da agência pública de notícias", Machado relaciona erros apontados por leitores e a respectiva resposta da "Agência Brasil", que em alguns casos não reconhecia o erro de informação.
A crítica, publicada nas manhãs das sextas-feiras, ficou parada no sistema interno da EBC e não foi ao ar. A coluna semanal do ouvidor foi publicada apenas no sábado (16), com um outro texto, sobre assunto diferente, desta vez com críticas mais amenas.
(...)
A Folha Online apurou que a reunião que decidiu pela substituição do texto gravado no sistema pelo que foi ao ar teve a participação da diretora-presidente da empresa pública, Teresa Cruvinel, e o ouvidor-geral da EBC, Laurindo Leal Filho.
No fim da sua coluna publicada no sábado, Machado ainda se desculpa aos leitores pelo atraso na publicação e remete o ocorrido a "motivos alheios" à sua vontade.
(...)
A mudança no texto e a possível censura à crítica anterior está em desacordo com a norma interna da ouvidoria.
Na parte que trata dos objetivos do ouvidor, o texto é claro ao afirmar que a crítica não pode sofrer impedimentos. "A Ouvidoria tem os seguintes objetivos: 1 - assegurar ao cidadão o direito à crítica sobre o jornalismo e a comunicação da Radiobrás, sem impedimentos ou discriminações."

Voltei
Vamos ver como a fala dos cartunistas do extinto O Pasquim e a ação da EBC, com a participação de Tereza Cruvinel e de Laurindo Leal Filho, são sintomas de uma mesma doença. Acompanhem.

Vocês certamente sabem que as indenizações aos ditos “perseguidos da ditadura” já somam uns R$ 4 bilhões, não? As pensões mensalmente pagas já devem estar custando hoje, aos cofres públicos (NÓS PAGAMOS), algo em torno de R$ 30 milhões. Sim, queridos: POR MÊS!. Em alguns casos, poucos na comparação com o total de indenizados, houve, de fato, tortura e/ou morte de pessoas sob a guarda do estado. E a indenização é justa e correta. Mas a grande maioria é formada por oportunistas descarados. O emblema da farsa ocupa o topo da República.

Lula recebe, todo mês, quase R$ 5 mil da Bolsa Ditadura. É considerado “um perseguido político”. Desde 1975, quando passou a integrar a diretoria do Sindicatos dos Metalúrgicos de São Bernardo, até janeiro de 2003, quando assumiu a Presidência, este senhor não ficou um miserável mês sem receber salário ou do sindicato ou do PT. Aquela militância lhe custou o que tem hoje. Foi preso pelo Regime Militar, segundo as leis daquele período, e, felizmente, nunca ninguém lhe encostou num fio de barba. Quando chegou à Presidência, seu patrimônio oficialmente declarado estava próximo de R$ 1 milhão, superior à da esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros, operários ou não.

Recebe a indenização por quê? Há várias respostas. Lembro duas. Em primeiro lugar, porque a impressionante elasticidade de sua moral pessoal lhe permite. Isso e muito mais. Ele tem até um “Ronaldinho”, lembram-se? Em segundo lugar, mas não menos importante, porque passou, dadas as suas vinculações com a esquerda, a integrar o grupo dos inimputáveis do Brasil. Por aqui, esquerdistas são sempre inocentes, ainda que, no mundo, sejam, como é sabido, quase sempre culpados. Ocorre que os veículos encarregados de dar voz e consistência à opinião pública estão tomados de militantes.

Ziraldo e Jaguar, como sabem aqueles que viram o filme sobre Simonal, justificaram o massacre do cantor alegando a guerra ideológica do período. Bem, serei mais preciso: o primeiro, sempre muito loquaz, é que tentou ensaiar ali alguma sociologia do confronto. O outro nem se ocupou disso. Saiu-se com uma espécie de “antes ele morto do que eu”. O excesso de álcool costuma livrar as pessoas de todas as virtudes curativas da vergonha na cara. O pai do Menino Maluquinho, o Velhão Malucaço, foi explícito. Usou a tal imagem da capoeira. O Pasquim, que ajudou a destruir Simonal, estava dando pernadas. Pegou no cantor. Fazer o quê? Entenderam? Estes dois senhores receberam mais de R$ 1 milhão da Bolsa Ditadura e têm direito a quase R$ 5 mil por mês enquanto viverem. Segundo declarou Ziraldo, o Brasil lhe “DEVE” isso. É mesmo? O que devo a Ziraldo, infelizmente, não poderei pagar sem que ele me processe depois...

Escrevi aqui algumas vezes, para protesto de alguns, que, com efeito, não podemos contar a história que não houve. Mas podemos presumir algumas coisas com base em ocorrências históricas protagonizadas por ideólogos semelhantes. No tempo em que eram revolucionários — ou, para ser mais exato, no tempo em que recorriam à luta armada —, os comunistas e esquerdistas associados jamais chegaram ao poder sem promover morticínio em massa — ou preparar as condições para que ele ocorresse. Os esquerdistas dizem agora que os mortos da ditadura brasileira foram 427. Não deveria ter sido um só. Mas não foram os 100 mil de Cuba — e a nossa população é 12 vezes maior do que a da ilha. Já fiz a conta aqui: por cem mil habitantes, Fidel é milhares de vezes mais assassino do que os nossos ditadores. Mas, vocês sabem, Chico Buarque toca violão pra ele. Se soubesse, tocaria flauta também. É uma metáfora-metonímia, é claro. Uso a nossa Deusa dos Olhos Glaucos, a Palas Athena dos vermelhos, apenas como sinal do refinamento máximo a que chegou a esquerda brasileira: um sambista! Há também o funk delúbio-spinoziano de Marilena Chaui, mas todos preferem Chico, como é sabido.

O que estou querendo dizer é que Ziraldo e Jaguar nos deixam entrever com que moral o Brasil teria sido governado por um largo período se os adversários do regime militar tivessem vencido a parada. 427 mortos? Isso Stálin matava por dia. Era tão obsessivo, que andava com uma caderneta sebenta no bolso com a lista dos campos de trabalhos forçados. 427? Mao Tse-Tung eliminava entre um catre imundo e outro. Imaginem se a lógica da pernada daquele senhor indenizado tivesse prevalecido. 427? Isso Che, o Porco Fedorento, fez em questão de dias. 427? Não deveria ter sido um só. O que me pergunto é por que os prosélitos do vitimismo dos 427 adoram ditadores que matam milhares, milhões. A resposta: porque eles não se importam com os mortos. Os mortos que importam são apenas os que estão do lado certo.

Agora a EBC
O chefe da comunicação do governo, incluindo a EBC, é, como todos sabem, Franklin Martins. É ele quem manda em Tereza Cruvinel e Laurindo Lalo Leal Filho. Franklin e Tereza passaram pelo grupo Globo, e Laurindo era um crítico contumaz do conglomerado de comunicação. Vem daquela militância que diz querer a “democratização” dos meios de comunicação. O governo vai promover até uma conferência com nome de exame laboratorial de latinha para cuidar do assunto — a Confecom. Tereza e Franklin nunca chegaram a ter posições realmente de comando no grupo Globo. Felizmente! Isso é sinal de que não puderam “democratizá-lo” a seu modo, não é? Laurindo, o “grande pensador” da mídia, está dizendo a que veio.



Nada como dar poder efetivo e real às esquerdas para que possamos apreciar o seu amor pela pluralidade e pela diversidade. Faz sentido. A maior de todas as torpezas históricas e teóricas é relacionar esquerdas e democracia. Quando foi que elas, de fato, a quiseram? Nunca! Na verdade, elas têm é um largo contencioso com a prática democrática, sempre considerada um instrumento das minorias para manipular as maiorias. Quando os esquerdistas decidiram usar os meios da democracia para chegar ao poder — como as eleições, por exemplo —, foi com o intuito de criar um sistema que pudesse torná-las irrelevantes. Assim, só cretinos, destituídos de leitura, acreditam que um esquerdista quer “democratizar” o que quer que seja. Ou se é de esquerda ou se é democrata. Quem quer que se diga os dois a um só tempo ou não sabe o que é um, ou não sabe o que é outro, ou não sabe o que são ambos.

Esses iluminados estão empenhados, vejam que coisa!, em criar o que chamam de alternativas de comunicação. Fizeram uma nova TV porque, diziam, a comercial não servia. Não conseguem sair do traço. Olhem como são democráticos e tolerantes até entre os seus... Já sabemos o que teriam feito com o Brasil se tivessem vencido. Sabemos agora o que fariam com as Organizações Globo — só para citar o maior grupo do país — se mandassem lá. Evidentemente, quem assegura a democracia dos meios de comunicação no país são as empresas privadas. Esquerda entende é de ditadura.

E arremato com a questão da hora. Não me surpreende, em absoluto, que os petistas tenham sacado do estoque de imposturas a cascata da privatização da Petrobras para tentar bombardear a CPI. O que é uma mentira particular no estoque das mentiras universais?
*
PS – Sobre a EBC, deixo claro: não considero a função de “ombudsman” algo relevante hoje em dia. Os ouvidores da imprensa, na era da Internet, tornaram-se meros procuradores das reclamações organizadas do petismo. O que era uma boa novidade se tornou algo regressivo. Quem precisa deles para fazer o debate? Tornaram-se apenas um braço a mais do aparelhamento da imprensa. Mas, se existem, não podem ser censurados.





URIBE, LULA E O TERCEIRO MANDATO

Não que eu já não tenha escrito aqui. Mas escrevo de novo. Sou contra — embora isso seja irrelevante para os colombianos — o terceiro mandato de Álvaro Uribe na Colômbia. E não, eu não sou contra porque, desse modo, posso combater a tentação do Apedeuta sem que me achem incoerente. Eu, de fato, que não sou votado por ninguém, estou me lixando para o que acham de mim. Critico a iniciativa porque:
a) sou contra reeleições (e de um modo bem particular);
b) sou contra mudança das regras do jogo durante o jogo.

E, sim, fui contrário à emenda que criou a reeleição no governo FHC. Escrevi contra. Todo mundo que me conhece sabe disso. À parte o esquerdismo adolescente, a única coisa de que me arrependo hoje em dia — mudei de opinião, sim — é a defesa que fiz do Presidencialismo, com texto escrito e tudo. Foi um erro. Acho até que o fiz por bons motivos, mas eu me arrependo. Adiante.

Má fé, para não variar, têm os petralhas, que me escrevem coisas como: “Ah, por que você não fala da ditadura que o Uribe está tentando criar na Colômbia e só ataca o Chávez e o terceiro mandato de Lula?” Eu realmente não sei como essa gene consegue andar com a coluna ereta. Se eles consideram a iniciativa de Uribe “ditatorial”, por que gostam, então, da de Chávez e torcem para que Lula tente emplacar mais um mandato? Por que, então, se ancoram em quem desprezam para pedir o mesmo? Isso, sim, é vigarice.

Sou favorável a um mandato único de cinco anos. Sempre fui. Na verdade, já escrevi também, sou radical nesse particular: prefeitos, governadores e presidentes deveriam ter direito a um único mandato, sem chance de volta nem depois de um intervalo. Isso renovaria o processo político nas três esferas da Federação. Renovaria até o Congresso, criando demanda permanente por vagas na Câmara e no Senado. Contribuiria para mitigar o caciquismo.

Mas volto a Uribe. Eu não costumo raciocinar, como já escrevi ontem, na base do “tudo é a mesma coisa”. E, pois, não acho que Uribe, ainda que busque o terceiro mandato, seja igual a Chávez. Não é. A Colômbia, hoje, é um pais democrático. A Venezuela já é, tecnicamente, uma ditadura. Um devolveu regras à nação; o outro criou um regime de excepcionalidades.

A reeleição de Uribe é ruim porque impede a oxigenação das instituições. Para sair dessa metáfora fácil, especifico: se ele apóia um candidato, defendendo o seu inegável legado positivo — pegou um país praticamente governado pelo narcotráfico e lhe devolveu o status de nação —, a Colômbia passa a depender menos do poder, carisma ou competência de um homem e mais da normalidade institucional. A troca de guarda também facilita o surgimento de novos líderes, renovando seu próprio campo de pensamento, que tende a se atrofiar se ele continua no poder.

Pouco me importa se Chávez, na Venezuela, arrancou a reeleição ilimitada num referendo — como alguns petistas querem fazer por aqui, e Uribe pode fazer na Colômbia. Isso, para mim, não quer dizer absolutamente nada. Ou melhor, quer: trata-se de recorrer a um método de consulta democrático para referendar uma prática autoritária. É truque. E dos mais vagabundos. Na Venezuela, na Colômbia ou aqui.

Não, senhores petralhas: vocês, que odeiam tanto Uribe e condenam seu eventual terceiro mandato, querem, não obstante, mais quatro anos para Lula Eu, que admiro Uribe e não sou lá muito chegado ao Apedeuta, não quero terceiro mandato nem para um nem para outro. A contradição que vocês vieram procurar aqui está é na cara-de-pau de vocês.


Delinqüência política - PT promove passeata no Rio contra CPI
No Estadão:

Para carimbar a oposição como "privatista", o PT vai se engajar em uma série de atos públicos em defesa da estatal e contra "desvios" na condução da CPI aberta no Senado para investigar a empresa. A primeira manifestação acontecerá amanhã no Rio, com passeata e um "abraço" no edifício-sede da empresa. Segundo o deputado petista Luiz Sérgio (PT-RJ), a expectativa é reunir cerca de 2 mil manifestantes. A organização está a cargo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de sindicatos de petroleiros e do MST.
O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), confirmou a presença de alguns parlamentares petistas na manifestação de amanhã, mas negou que o partido seja organizador do protesto. "Não é uma ação do PT, é uma ação da sociedade", afirmou.
Ontem, em Pequim, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, voltou a demonstrar preocupação com o impacto das investigações sobre a imagem da companhia. "A reputação de uma empresa como a Petrobrás é algo que preocupa os empregados, os acionistas, os fornecedores", afirmou Gabrielli, após evento em que anunciou a captação de financiamento de US$ 10 bilhões junto ao Banco de Desenvolvimento da China. Ele reforçou que a empresa estará disponível para prestar esclarecimentos à CPI.
Em evento no Rio, a diretora da área de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, afirmou que não houve alterações na rotina da estatal em virtude da CPI. "É fundamental que a gente não deixe atrasar nada ou altere nossa rotina. Temos compromissos comerciais muito grandes e compromissos também com a sociedade."
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PT ainda não conseguiu formar a tropa de choque dos chapas-brancas
Por Christiane Samarco e Eugênia Lopes, no Estadão:

Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem sinais de independência em relação ao Palácio do Planalto. Com 3 senadores entre os 11 titulares, o partido será fiel da balança na comissão. Diante da vontade do PT em tratorar a oposição e domar as investigações, o PMDB quer que a comissão funcione como instrumento de barganha com o governo.
Ontem, um racha na base governista impediu os partidos aliados de indicar seus representantes na comissão aberta para investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Além de uma briga entre o PMDB do líder Renan Calheiros (AL) e o PT comandado pelo senador Aloizio Mercadante (SP), a base aliada também não consegue se entender em torno de uma estratégia para conduzir a comissão. Setores expressivos do PT e do governo apontam para a tática do rolo compressor, enquanto peemedebistas dizem rejeitar a ideia de uma CPI chapa-branca, com governistas na presidência e na relatoria.
Com tantos problemas, a definição deve se arrastar até a próxima semana. Se prevalecer a tese do PMDB, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) tem boas chances de ser eleito presidente da comissão. "O nome dele é palatável. Precisamos de tempo para conversar e baixar a temperatura", confirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). A boa vontade do PMDB em dividir o comando da CPI com a oposição tem um limite. Os tucanos, que radicalizaram para forçar a abertura do inquérito, terão de ficar fora da presidência. Da relatoria, o governo não abre mão.
Para que a oposição assuma a presidência, os tucanos têm de concordar em eleger o DEM. Como consolo, ganham duas das três vagas de titulares. A dupla do PSDB na comissão será formada pelos senadores Álvaro Dias (PR) e Tasso Jereissati (CE). O presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), deverá ficar como suplente. Além de ACM Júnior, o DEM deve pôr Heráclito Fortes (PI) na vaga de suplente. O PTB já definiu o ex-presidente Fernando Collor (AL) como seu representante.
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Marolinha - Emprego recuará ao nível de 2007, afirma Meirelles
Por Pedro Soares e Samantha Lima, na Folha:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que, com a crise, o nível de emprego no país deverá retroceder aos patamares de 2007, o que considerou "preocupante".
"A massa salarial comparada a 2008 está crescendo. Mas a previsão dos índices de desemprego no segundo semestre vai levar a uma trajetória comparada a 2007. Estamos retrocedendo dois anos", disse Meirelles durante o 21º Fórum Nacional, no BNDES, organizado anualmente pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.
De acordo com dados do IBGE, o desemprego atingiu 9% em março. Em 2008, fechou em 7,9%, ante 9,3% em 2007. Segundo Meirelles, há países em situação pior. "Não podemos esquecer que, em alguns países, o índice vai voltar à década de 40."
O alívio que o governo deu recentemente ao próprio caixa ao afrouxar as metas de economia para pagamento de juros da dívida interna não é visto por Meirelles como algo que possa piorar as contas públicas.
Devido à crise e à queda na arrecadação, o governo reduziu essa meta -chamada de superávit primário- de 3,8% para 2,5% do PIB neste ano, sob alegação da necessidade de preservar investimentos.
Segundo Meirelles, a relação entre a dívida e o PIB estava acima de 40% no ano passado. "Mesmo com a redução da meta de superávit, o mercado prevê que essa relação não fique acima de 39% no fim do ano. Hoje, estamos em 37,8%", diz Meirelles.
A relação dívida/PIB é um importante indicador das contas de um país. Quando está em alto patamar, indica, para investidores estrangeiros, um maior risco de calote.
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Dilma deve reduzir ritmo de trabalho
Na Folha:
Com alta prevista para a manhã de hoje, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ouviu dos médicos a recomendação para diminuir o ritmo de trabalho, como forma de melhorar o andamento de seu tratamento quimioterápico contra um câncer linfático.
Dilma está internada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde a madrugada de ontem. Ela sofreu, na segunda-feira, fortes dores nas pernas. Foi medicada em Brasília e depois transferida para São Paulo, onde estão os médicos que acompanham seu tratamento.
No final da manhã de ontem, o hospital divulgou um boletim atribuindo os sintomas a uma miopatia -inflamação muscular. A miopatia é um efeito colateral que pode ocorrer após o uso de um tipo de corticoide que integra a terapia contra o linfoma usada por Dilma.
Nem todos os pacientes que se submetem à quimioterapia sofrem a inflamação.
Dilma realizou na quinta-feira a segunda sessão de quimioterapia. A Folha apurou que, como ela vai passar por outras sessões, a equipe médica decidiu adicionar ao tratamento substâncias que evitem novas crises de miopatia.
Segundo os médicos afirmaram ontem, os sintomas que levaram à sua internação estão dentro da normalidade.
Eles ressaltam que o ritmo intenso de trabalho de Dilma pode fazer com que ela sinta mais os efeitos do tratamento. Em geral, os pacientes são aconselhados a descansar no dia em que realizam a quimioterapia e evitar os deslocamentos. Dilma retornou no mesmo dia a Brasília.
A ministra foi também aconselhada a permanecer em São Paulo hoje, após deixar o hospital, para descansar.
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Ministro confirma ampliação do Bolsa-Família
No Estadão:

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, confirmou ontem que o governo vai ampliar a concessão do Bolsa-Família para moradores de rua, remanescentes de quilombos, indígenas e pessoas instaladas nos acampamentos de sem-terra. A informação foi dada pelo ministro ao participar do 2º Encontro Nacional da População em Situação de Rua.
A ampliação do atendimento a esses segmentos faz parte de um plano que visa a estender o programa a 1,8 milhão de novas famílias até o fim de 2010. Com isso, a lista de pagamento passaria dos atuais 11,1 milhões de famílias para 12,9 milhões. Na segunda-feira, o Ministério do Desenvolvimento Social anunciou a inclusão de mais 382 mil famílias na lista de pagamento do Bolsa-Família. Em agosto outras 550 mil serão acrescentadas.
Patrus disse que o objetivo do governo é atender todas as famílias com rendimentos mensais abaixo de R$ 137, valor atual do benefício. Em relação aos acampados da reforma agrária, ele destacou que o dinheiro irá para as famílias, mas não para o Movimento dos Sem-Terra (MST) ou outras organizações similares.
Segundo assessores do Ministério do Desenvolvimento Social, as prefeituras receberam orientação para ir atrás das pessoas em situação de maior risco, sob o ponto de vista da segurança alimentar. Isso inclui moradores de rua, quilombolas e grupos indígenas.


Lula volta da China de mãos abanando
Por Raul Juste Lores, na Folha:

Com exceção de um acordo entre Petrobras e China, já anunciado em fevereiro, e a possível liberação da entrada de carne de frango brasileira no país, aprovada no ano passado, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu avançar várias pendências da agenda.
O cancelamento da compra de 45 aviões modelo 190 da Embraer, anunciada em 2006 pelos chineses, mas cancelada em novembro passado, não foi revertida, apesar de Lula ter falado do assunto ao menos três vezes com os anfitriões.
As barreiras chinesas contra as carnes suína e bovina do Brasil não foram removidas -as negociações se arrastam desde 2005. O governo brasileiro queria fazer o lado chinês aprovar a liberação para tentar diversificar a pauta brasileira, hoje concentrada em soja e ferro.
Brasil e China anunciaram ontem a criação de um plano quinquenal de metas, aos moldes dos adotados pelo regime comunista chinês, para criar uma pauta comum em áreas como comércio, finanças, educação e ciência e tecnologia.
O plano será discutido e criado no segundo semestre, em reunião em Brasília, para funcionar entre 2010 e 2014. A responsabilidade pela criação será da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Coordenação (Cosban). Criada em 2004, ela só teve duas reuniões até agora, em 2006 e em abril passado.
Lula disse em discursos ontem que estava "empenhado em diversificar o comércio bilateral" e em aumentar as "possibilidades de investimentos".
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Capitalismo de estado - Fundos de pensão e BNDES querem até 44% do capital da Brasil Foods
Por Irany Tereza, David Friedlander e Ricardo Grinbaum, no Estadão:
Os fundos de pensão - que controlam a Perdigão - e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) planejam comprar pelo menos 50% - se possível até 65% - das ações a serem emitidas até o fim de julho pela Brasil Foods, a companhia formada por Sadia e Perdigão. A oferta dos papéis para reforçar a companhia deverá atingir R$ 4 bilhões. Com essa compra agressiva, os fundos querem ampliar, de 26% para 35%, sua participação no capital total da nova empresa. O BNDES ficaria com algo como 9%. Juntos, passariam a ter 44% da Brasil Foods.
Os fundos contam com o BNDES para criar um grupo de acionistas afinado e forte o suficiente para definir os rumos da Brasil Foods, sem depender de outros sócios. Pertencentes a estatais, são liderados pela Previ, do Banco do Brasil. Deverão investir de R$ 1,3 bilhão a R$ 2 bilhões.
O BNDES planeja investir de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, segundo apurou o Estado. A intenção é comprar um grande volume de ações mesmo que a demanda pelos papéis seja forte, o que mostraria que o interesse do BNDES é fazer uma composição estratégica com os fundos e não apenas garantir o sucesso da operação. Outros fortes interessados são dois grandes acionistas da Perdigão: a Weg e a família do chinês Shan Ban Chun, que vendeu a Eleva para a Perdigão em outubro de 2007.
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Gastos irregulares derrubam líder do Parlamento britânico... E olhem que ele nem havia metido a mão na grana...
Da AP, Reuters e NYT, no Estadão:

O presidente da Câmara dos Comuns da Grã-Bretanha, o trabalhista Michael Martin, cedeu à pressão que vinha sofrendo por causa do escândalo dos gastos de parlamentares e anunciou ontem sua renúncia. Martin é o primeiro presidente do Parlamento forçado a deixar o cargo em mais de três séculos.
"Para que a unidade seja mantida, decidi que abandonarei o posto de presidente em 21 de junho", afirmou Martin. "Isso permitirá que a Casa inicie a escolha de um novo líder. Isso é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto."
Após sua declaração, Martin deu continuidade à agenda do dia, enquanto alguns legisladores deixavam o local, surpresos com a rapidez com que foi encerrado um momento histórico da Câmara. O sucessor de Martin deve ser escolhido pelos 646 deputados britânicos um dia após ele deixar o cargo.
Martin é a mais alta figura pública a ser afetada pelas revelações feitas pelo jornal The Daily Telegraph, que publicou detalhes sobre as despesas de parlamentares desde 2004. Entre as denúncias estão as de que políticos usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis.
Apesar de não se ter beneficiado das verbas, Martin foi criticado por ter criado um ambiente que permitiu o exagero ao tentar bloquear diversas vezes a publicação de detalhes sobre as despesas.
O trabalhista foi eleito para o Parlamento em 1979. Martin, um ex-líder metalúrgico de 63 anos, tem suas origens em uma região humilde de Glasgow, na Escócia, onde morava com o pai alcoólatra, e sempre teve orgulho de sua trajetória política - especialmente ao chegar à presidência da Câmara dos Comuns, em 2000.
Na segunda-feira, Martin ainda vetou um debate sobre seu futuro no Parlamento, enquanto deputados exigiam sua renúncia e interrompiam suas declarações.
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Senado aprova referendo decisivo para 3.º mandato de Uribe
Da Efe, Reuters e AP, no Estadão Online.

Comento em seguida:

O Senado colombiano deu sinal verde nesta terça-feira, 19, para a realização de um referendo para decidir se o presidente Álvaro Uribe poderá ou não concorrer nas eleições de 2010, abrindo caminho para um terceiro mandato do popular líder conservador. A iniciativa foi aprovada por 62 votos a favor e cinco contra, após a retirada do Partido Liberal e do Polo Democrático Alternativo (PDA), os principais opositores do atual governo.
No poder desde 2002, Uribe nunca se pronunciou abertamente a favor do terceiro mandato, mas tampouco descartou a proposta. Também não desestimulou seus partidários quando eles lançaram a campanha pela mudança constitucional que permitirá a segunda reeleição. Além disso, o ministro do Interior, Fabio Valencia, chegou a manifestar o apoio do governo à convocação da consulta popular sobre o tema.
Agora, o referendo se submeterá a um ato de "conciliação" com a Câmara de Representantes, que já aprovou a iniciativa, e finalmente chegará à Corte Constitucional, que terá a última palavra sobre o
assunto. Héctor Elí Rojas, senador do Partido Liberal, denunciou que Valencia negociou nesta terça, pessoalmente, a aprovação do referendo.
"Essa é mais uma demonstração de que a votação deste referendo é suja", afirmou Rojas. Já o congressista Luis Carlos Avellaneda, do PDA, comentou aabstenção de seu partido nas votações ao dizer que o projeto "dá abertura à ditadura e a um governo plutocrata."
Uribe foi eleito pela primeira vez há sete anos, com 62% dos votos. Em 2003, a população rejeitou a primeira reeleição em uma consulta popular. O presidente só conseguiu aprová-la por meio de uma emenda constitucional no Legislativo. Desde então, vem mantendo altos índices de popularidade graças ao relativo sucesso da guerra às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Sua aprovação chegou a 91% em julho, depois do resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt, que por seis anos foi refém das Farc. Recentemente, caiu para 68% por causa de uma série de escândalos de corrupção, improbidade administrativa e violações aos direitos humanos cometidas por membros de seu governo.
Na Colômbia, para que a consulta tenha validade, precisam ir às urnas pelo menos 25% dos eleitores. O país possui atualmente cerca de 28 milhões de pessoas aptas a votar. Uma nova sondagem diz que 59% dos colombianos votariam em um eventual referendo sobre uma nova reeleição de Uribe, e que 84% destes votariam a favor do novo mandato.

Comento
Farei um texto mais longo depois. Mas relembro o que já disse aqui: Uribe está pondo em risco a sua boa herança. Está prestes a fazer uma estupidez.


Por Reinaldo Azevedo 23:19 comentários (24)



ESTA É A DEMOCRACIA DELES
Por Thiago Faria, na Folha Online:
A empresa de comunicação do governo, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), antiga Radiobrás, decidiu na semana passada mudar a crítica semanal que o ouvidor da empresa faz sobre o jornalismo praticado pela "Agência Brasil". Na crítica, o ouvidor-adjunto Paulo Machado aponta diversos erros de informações em notícias veiculadas no noticiário da agência, colocando em dúvida a credibilidade da empresa.
Com o título "Credibilidade da agência pública de notícias", Machado relaciona erros apontados por leitores e a respectiva resposta da "Agência Brasil", que em alguns casos não reconhecia o erro de informação.
A crítica, publicada nas manhãs das sextas-feiras, ficou parada no sistema interno da EBC e não foi ao ar. A coluna semanal do ouvidor foi publicada apenas no sábado (16), com um outro texto, sobre assunto diferente, desta vez com críticas mais amenas.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a EBC informou que não houve censura e que a publicação foi apenas adiada. O adiamento foi uma decisão conjunta da ouvidoria e da direção da "Agência Brasil". A EBC ressaltou que a diretoria da empresa não interfere no trabalho da ouvidoria, que tem autonomia.
A Folha Online apurou que a reunião que decidiu pela substituição do texto gravado no sistema pelo que foi ao ar teve a participação da diretora-presidente da empresa pública, Teresa Cruvinel, e o ouvidor-geral da EBC, Laurindo Leal Filho.
No fim da sua coluna publicada no sábado, Machado ainda se desculpa aos leitores pelo atraso na publicação e remete o ocorrido a "motivos alheios" à sua vontade. "Peço desculpas aos leitores pelo atraso na publicação desta coluna devido a motivos alheios à nossa vontade. Na próxima semana voltaremos ao horário normal de publicação."
O fato gerou estranheza na equipe de jornalismo da empresa, que teve acesso à coluna gravada no sistema. A mudança no texto e a possível censura à crítica anterior está em desacordo com a norma interna da ouvidoria.
Na parte que trata dos objetivos do ouvidor, o texto é claro ao afirmar que a crítica não pode sofrer impedimentos. "A Ouvidoria tem os seguintes objetivos: 1 - assegurar ao cidadão o direito à crítica sobre o jornalismo e a comunicação da Radiobrás, sem impedimentos ou discriminações."



COLLOR, FINALMENTE, DERROTA O PT NA BATALHA CONTRA O IMPEACHMENT
Por Eugênia Lopes, no Estadão Online. Comento em seguida:




O governo vai montar mesmo uma tropa de choque na CPI da Petrobras e quer a presidência e a relatoria da comissão. Não vai abrir mão de nenhum posto de comando para a oposição. "Minha opinião é que a base que é numericamente maior tenha a representação expressa nos cargos da CPI", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que deverá ser um dos integrantes da comissão de inquérito.
Além de Jucá e do senador Aloizio Mercadante (PT-SP, )a tropa de choque do governo contará com ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Os outros nomes ainda não foram definidos.
A oposição vai indicar os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Sérgio Guerra (PSDB-PE).
Já o DEM irá indicar Demostenes Torres (GO) e ACM Júnior (BA) e talvez Heráclito Fortes (PI). Por acordo com os tucanos, o DEM pretende disputar a presidência da CPI da Petrobras. Os democratas só têm chances de ganhar o posto se o governo não abrira mão do comando da CPI, o que não deverá ocorrer.
Segundo o líder Jucá, a CPI só será instalada na semana que vem. Com a abertura do inquérito, ele informou que está descartada a participação em audiência pública de Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, no Senado.

Comento
Poderia ser um negócio muito lindo. Comovente até! Bem que essa poderia ser a terra perfeita e aberta de um soneto do meu poeta brasileiro predileto, onde se vê “um deus crucificado beijando uma vez mais o enforcado”, um verdadeiro símbolo da conciliação. O problema é que essa terra não existe de fato. E a diferença entre Collor e Lula é a que separa o amadorismo do profissionalismo. Quem disse que o ex-operário nada tinha a ensinar ao ex-janota? Eis aí.

Que Collor, o impichado, 17 anos depois de defenestrado — em boa parte, com a ajuda do PT —, seja convocado a integrar a tropa de choque para tentar impedir, como já está declarado pelo governismo, a investigação não tem nada de ironia da história. Ao contrário: trata-se de uma celebração de identidades.

Um cultor distraído de antíteses poderia dizer, apelando a certa eloqüência, que Collor continua o mesmo; quem mudou foi Lula. Pois é. Seria um erro e tanto. Collor continua o mesmo, e Lula, também. Faltavam ao petista e a seu partido chances de demonstrar quem eram. A partir de 2003, elas foram muitas. Estão diante de mais uma.

Quem diria, né? Collor, finalmente, derrotou o PT na batalha contra o impeachment.

PS: Sei que, tecnicamente, Collor não foi impichado, mas renunciou. Politicamente, no entanto, foi deposto.


Por Reinaldo Azevedo 18:37 comentários (49)



Mulheres
Na Folha:
A ex-prefeita e ex-ministra Marta Suplicy receberá um grupo de comunicadoras em sua casa, neste sábado, para almoço em torno da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), informa Renata Lo Prete, editora do "Painel" da Folha.
"Será uma oportunidade para que mulheres poderosas em suas áreas de atuação conheçam a ministra não apenas como política e administradora", disse Marta.
Segundo ela, já confirmaram presença as apresentadoras Ana Maria Braga, Adriane Galisteu e Ana Hickman, a ex-jogadora de basquete Hortência, a atriz Maria Paula, a historiadora Maria Victoria Benevides, a psicanalista Maria Rita Kehl, a filósofa Marilena Chaui, a escritora Marta Goes, a jornalista Monica Waldvogel e a consultora de moda Gloria Kalil.
Pré-candidata do PT à Presidência, Dilma está hospitalizada devido a efeitos colaterais da quimioterapia a que se submete depois da retirada de um linfoma (câncer nos gânglios linfáticos). Deve ter alta amanhã. Foi cancelada sua participação em evento da CUT na sexta-feira, mas o almoço, segundo Marta, está mantido.

Comento
Ah, bom. Então Mercadante (ver abaixo) estava também desinformado. O encontro com Ana Maria Braga tinha outro propósito. Entendi. Só pra constar. Encontro não quer dizer "adesão". Na lista acima, há petistas históricas e também pré-históricas, como Marilena Chaui e Maria Victoria Ditabranda Benevides, mas há quem não tenha nenhum vínculo com o PT.



Lá vai Mercadante, metendo o bigode pelo cérebro. Ele promete exploração eleitoral do câncer
Por Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, no Estadão Online. Volto depois:





A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que está internada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, pretende se reunir na próxima semana com a apresentadora de TV Ana Maria Braga e outras pessoas que passaram pelo tratamento de combate ao câncer. A informação é do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que deixou no início da tarde o Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo federal, onde teve encontro com lideranças.
Mercadante disse que pretende ainda hoje fazer um discurso no plenário do Senado para criticar a divulgação, em alguns jornais, de uma foto em que a ministra aparece segurando os cabelos, por causa de uma forte ventania na Base Aérea de Brasília. "Tem de ter limite. Não costumo criticar reportagens ou fotos, mas a divulgação dessa foto foi uma crueldade, uma agressão", afirmou. "É inaceitável expor a individualidade e a feminilidade de uma pessoa como nesse caso", acrescentou.
Mercadante relatou que sofreu um drama pessoal, quando a mulher dele teve de cortar os cabelos para se submeter à quimioterapia. Os medicamentos, observou, derrubam em 48 horas os cabelos de uma pessoa. "Qual é o problema de alguém ter de usar uma peruca? Qual a importância disso para a sociedade", questionou. "Cobrar se uma pessoa pode ser candidata é da política. Mas não pode ser cruel com o ser humano. Ainda bem que ela é uma pessoa muito forte para superar tudo isso", afirmou. "Daqui a seis meses vamos dar o troco", disse Mercadante, confiante na recuperação rápida da ministra.

Comento
Mercadante é um caso ainda a ser estudado pela ciência. Observem que ele acusa a publicação da foto em que a ministra Dilma Rousseff aparece ajeitando a peruca de exploração política e desrespeito. Ele está errado (já volto a este ponto), mas vá lá. Em seguida, é ele próprio quem avisa que a doença vai subir (já subiu) o palanque: “Daqui a seis meses, vamos dar o troco”.

Entenderam? Publicar uma foto em que a principal ministra do governo exibe óbvias conseqüências do tratamento de saúde a que se submete é desrespeito. Mas prometer que, uma vez curada, ela vai, então, sei lá eu, vingar-se dos adversários, bem, aí Mercadante considera que é parte do jogo.

- Desrespeita o câncer da ministra quem ignora as dificuldades decorrentes de uma quimioterapia e a submete a uma rotina evidentemente incompatível com o tratamento. E, lamento dizer, isso inclui a própria doente, que tem discernimento para saber que há limites.

- Desrespeita o câncer da ministra quem procura fazer da doença um ativo eleitoral, como já foi publicamente confessado por Marco Aurélio Garcia e Fernando Haddad. E, agora, por Mercadante.

- Desrespeita o câncer da ministra o próprio presidente da República, que fez proselitismo sobre a doença no palanque, recomendando à subordinada, imaginem!, as virtudes curativas do povo.

Ana Maria Braga
Ana Maria Braga? Dilma vai debater câncer com Ana Maria Braga? Por que não debatê-lo, também, com a Ana Maria Silva, a Gislaine Santos ou a Suzaleide Crystina? Ainda estamos no terreno da propaganda e do marketing.

Essa gente deveria criar vergonha na cara e dar tempo a Dilma para se recuperar. Ela também deveria ter mais respeito pela própria saúde. Sabem quem não tem limites? Os petistas! Sabe quem não tem limites, senador Mercadante? Vossa Excelência!

A foto
A foto, lamento escrever, é uma informação jornalística relevante. E, como se vê, era indício de que a retórica oficial não coincidia com a realidade. Infelizmente, e infelizmente mesmo, a ministra enfrenta reações adversas muito próprias de quem se submete a tal tratamento.

De resto, as fotos de Dilma na “entrevista” concedida ao Correio Braziliense no Dia das Mães já evidenciavam que a ministra estava usando peruca. Não foi um flagrante ou coisa assim. Eram fotos posadas, feitas com a concordância da ministra. Não se disse um "a" a respeito. Sei que um petista jamais vai entender que um dos papeis da imprensa é informar o que sabe e vê. Para entendê-lo, é preciso acatar os fundamentos da sociedade democrática.

O primeiro texto que escrevi sobre este assunto, ainda no dia do anúncio da doença, alertava para o risco de politização do tema. As oposições, até agora, silenciaram. O GOVERNO E O PT É QUE TÊM TRATADO A DOENÇA COMO ATIVO ELEITORAL. Como não dá para atacar as oposições nesse particular, atacam, então, a imprensa.

Em qualquer caso, precisam de inimigos. O comportamento é tão asqueroso, que ajuda a criar uma sombra até mesmo sobre a natural e necessária solidariedade em casos assim. O problema do PT é que, a cada fato, consegue percorrer toda a gama de pruridos morais que vai de A a B.

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