2009-05-14

ENCHENTES NO NORTE E NORDESTE, ROTINA OU CALAMIDADE?


O KATRINA DELES E A ENCHENTE NOSSA


Um desses justificadores de petralhas (petralha ele também), com sotaque pseudo-acadêmico, manda-me um “tratado” para demonstrar que estou tentando “politizar as enchentes do Nordeste” etc e tal. Por que essa gente gosta tanto de mim? Por que esses caras não se levam a sério e consideram, como não cansam de dizer, que não tenho “a menor importância” e me deixam, então, em paz, em companhia dos leitores que gostam do meu blog? Já disse a música-tema da relação que esses bregas do governismo têm comigo: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”... Gente chata!!! E não custa notar: eu não tenho tempo de ler texto muito longo nem daqueles que concordam comigo. Imaginem, então, quanto percebo que o autor vai tomando a trilha que nos remete à terra dos energúmenos. Mas, vá lá, ele me fez lembrar de um fato político recente.

George W. Bush tinha alguma culpa pelo furacão Katrina? O governo federal era o responsável direto pela manutenção das barragens de Nova Orleans? Havia algo que pudesse fazer para barrar a fúria do fenômeno? As respostas: “Não”, “não” e “não”. E, no entanto, os democratas — e, sobretudo, a imprensa democrata — fizeram do então presidente dos EUA o principal responsável pela tragédia. Mais do que isso: foi acusado até de racismo, já que a maioria das vítimas fatais e dos desabrigados era negra — na verdade, os negros são a maioria de Nova Orleans. Se chovesse dinheiro ali, também seriam os negros os maiores “atingidos”... Os democratas, incluindo a turma de Barack Obama, deitaram e rolaram. Procurem na Internet: há artigos responsabilizando o aquecimento global pelo desastre — logo, tudo culpa de Bush, que não assinou o Protocolo de Kyoto...

Sim, essa era a parte vigarista da exploração política. Mas havia um aspecto verdadeiro nas críticas: o governo Bush foi lento e atrapalhado ao prestar socorro às vítimas. Não era, é óbvio, por racismo ou coisa parecida. Tratou-se de um caso clássico e notório de incompetência mesmo. E o governo federal, no Brasil, está sendo incompetente para atender às pessoas atingidas pelas enchentes no Norte e Nordeste. Mais do que isso: foi ineficaz em se antecipar aos fatos. Lembro de novo: as mega-enchentes nordestinas não são ocorrências surpreendentes, não colhem ninguém no meio do caminho, voltando para casa. Os rios vão anunciando o roteiro das tragédias vindouras.

Onde estava Márcio Fortes, ministro das Cidades? Onde estava o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional? A oposição brasileira pode se dispensar de fazer a exploração vigarista que os democratas americanos fizeram do Katrina. Se cumprirem apenas a sua obrigação, que é atribuir ao governo a parte que lhe cabe no desastre, cobrando urgência nas providências, já estará de bom tamanho. Mas ontem, por incrível que pareça, quem falou mais duro com o governo federal, afirmando que os recursos dos desastres do ano passado ainda não chegaram, foi Marcelo Déda, governador do Sergipe, que é do PT.

E reitero, sim, o que disse: embora a extensão da tragédia humanitária seja maior do que a que colheu Santa Catarina (que teve, no entanto, mais mortos), ninguém fica, assim, tão chocado. Afinal, vocês sabem, o sertanejo nordestino é, antes de tudo, um forte, né? Ele pode agüentar o tranco. Parece tão acostumado a isso...

As conseqüências das enchentes no Nordeste deveriam entrar para a história como um emblema de um momento em que se misturam, de um lado, as irresponsabilidades do governismo de exultação e, de outro, a sonolência de uma oposição que mal percebe os muitos motivos que tem para se opor. Estou em contagem regressiva para ver quanto tempo vai demorar para que um oposicionista, tucano de preferência, elogie a medida do governo em relação à poupança, apesar do gritante silêncio sobre as águas do Norte e Nordeste. "O que uma coisa tem a ver com a outra?" Se alguém faz essa pergunta, qualquer resposta seria inútil.

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