2009-05-01

COLLOR, CHAVEZ E RISERIO



O DIA EM QUE COLLOR ACERTOU
Da Agência Senado. Volto em seguida:
O senador Fernando Collor (PTB-AL) leu hoje um duro discurso contra o ingresso da Venezuela no Mercosul durante sessão da Comissão de Relações Exteriores. Collor disse que os princípios básicos de democracia não estariam sendo seguidos pela Venezuela.
"Não se pode dissociar o país e sua liderança, como não se separam as funções de chefia de Estado e chefia de governo. Reitero que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, luta por um projeto político próprio, que vai frontalmente contra o perfil de atuação externa do Brasil, que busca a paz, a integração e o não confronto", disse Collor.
Para ele, o próprio Mercosul foi alvo de ataques do presidente venezuelano, que disse que o bloco econômico e a Comunidade Andina de Nações "nasceram dentro do neoliberalismo e constituem integração de elite, de empresas e de transnacionais".
Segundo ele, a entrada da Venezuela no Mercosul poderia trazer "graves fissuras" ao bloco econômico pela "falta de comedimento de seu presidente". Por isso, pediu cautela na análise da questão. "Não é hora de discutir tema tão delicado como o da aceitação de novo parceiro que, por seu procedimento, possa a vir debilitar o Mercosul e não a fortalecê-lo", disse Colllor.

Defesa
Na opinião do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, argumentos contrários à entrada da Venezuela no Mercosul baseados apenas no cenário político daquele país não podem prevalecer sobre os demais.
"A democracia é um processo em andamento, e nós não podemos perder isso de vista. Como exemplo, eu gostaria de lembrar que, à época da Assinatura do Tratado de Assunção, o Paraguai era uma democracia muito frágil, quadro que, no entanto, mudou de lá para cá."
Amorim disse ainda que, apesar da democracia venezuelana ser muito questionada por autoridades e pela própria imprensa, aquele país promoveu 12 eleições, do ano de 1998 pra cá, todas consideradas livres pelos observadores internacionais que acompanharam os pleitos.

Comento
Não se pode jamais concordar com Fernando Collor? Ah, claro que se pode. Se ele sustentar que a Lei da Gravidade existe, direi: “Sim, a obviedade está de acordo com os fatos”. Se ele sustenta que a Venezuela não é uma democracia, terei de afirmar, como afirmo sobre a Lei da Gravidade: “Sim, a obviedade está de acordo com os fatos”.

A posição de Celso Amorim é pura delinqüência política. A questão não é debater se é pragmático ou não é ter a Venezuela no Mercosul. Há uma questão nem mesmo diz respeito àqueles valores abstratos de apreço à democracia. O tratado estabelece que só podem pertencer ao grupo países em que vige o regime democrático. Ponto final.

Argumentar que a Venezuela é uma democracia porque fez 12 eleições corresponde a endossar a tática chavista de recorrer à consulta popular para solapar o próprio regime democrático. Não gosto dos exemplos extremos porque eles, às vezes, turvam o entendimento. Mas, se Amorim faz de sua assertiva um princípio, cumpre observar: está chamando o nazismo e o fascismo de democracias.

Não existe democracia sem eleições, como sabe Cuba. Mas só eleições não fazem uma democracia, como sabe a Venezuela.


Por Reinaldo Azevedo 19:00 comentários (52)



VOCÊ NÃO PODE PERDER

Quem já pisou alguma vez no território da esquerda — de qualquer esquerda — e decidiu cair fora o fez por vários motivos. Quase sempre, a semente da desconfiança, que então dispara o mecanismo que leva à declaração de independência, é de ordem ética. Fica impossível conviver com certos relativismos, notadamente o que assegura que a “nossa” (deles) moral pode ser diferente da moral “deles” (a nossa) porque o “nosso” (deles) projeto de sociedade é melhor do que o “deles” (nosso). De sorte que "nós" (eles) podemos fazer coisas para "eles" (nós) que "eles" (nós de novo) não fariam para "nós" (eles). Pode parecer complicado, mas não é.

Isso tudo a propósito de quê? Você tem de assistir a um vídeo que traz uma entrevista de Antônio Risério, antropólogo, poeta, agitador cultural e ex-assessor de Gilberto Gil. Também pertenceu ao núcleo de propaganda das campanhas de Lula à Presidência da República. Na Bahia, Risério é uma espécie de entidade da "inteligência alternativo-integrado-tropicalista-com- piscina", com seu falar sempre muito alargado pelo espírito do uísque.

Só vendo para crer. O vídeo está no site MetropoleTV, da Rádio Metrópole, de Salvador. Para assistir, clique aqui. Risério diz coisas nada lisonjeiras sobre Gilberto Gil, seu ex-chefe, a quem chama o tempo todo de “Tia Nastácia”. E afirma que continua fiel ao PT, revelando-se entusiasta da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. A seqüência é esta:

Risério - Eu nunca rompi foi com o governo. Tanto é que, em 2006, eu fui pra campanha... Do nosso presidente.
Entrevistador – Pretende fazer a de Dilma?
Risério – Se me convidarem, sim, porque a minha candidata é ela. Agora eu posso fazer mais uma brincadeira: você vê que foi Zé Dirceu que organizou o Congresso da UNE, em Ibiúna; foi todo mundo preso. Dilma roubou o cofre do Adhemar e não deu nada pra ninguém (riso). Ela sabe fazer.

Em tempo: Risério é uma espécie de braço esquerdo e cérebro, digamos, poético (às vezes nem tanto) de João Santana, o marqueteiro oficial de Lula.

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