2009-04-28

A CRÍTICA DO PETRALHISMO PURO



ESPÍRITO DO TEMPO

Ainda sobre o depoimento da leitora do post abaixo, chega-me o comentário do que deve ser um leitor da ratazana assalariada do oficialismo:

“Você deve se achar o máximo, né, com esse seu chapéu ridículo. Pois eu tenho pena de você, que está por aqui fazendo hora extra. Não reconhece as qualidades do governo porque está sendo literalmente corroído por dentro. E ainda fala do câncer alheio. Você perdeu. A esmagadora maioria do Brasil está com Lula”.

Comento
Pena nada! Tem é ódio. Ódio e, veja que curioso!, medo. Se você pertence à maioria esmagadora do país, então por que faz questão de entrar aqui para dizer desaforos a quem é “minoria esmagada”? Que necessidade é essa de unanimidade? Sei: uma só pessoa que discordasse já seria uma ameaça.

Você tem é vocação para ser massa de manobra de tiranos. Não, eu não me acho o máximo – você deve me achar. E não se perdoa por isso. Para você, era muito importante que eu lesse a sua ofensa e suas maldições, ainda que o mais provável era que eu não as publicasse. Mas você deu sorte: conseguiu ser especialmente estúpido.

Vejam, leitores, como um mau mestre perverte os discípulos. Para Lula, uma das formas de Dilma se curar é mergulhar no PAC. Para o meliante acima, a coisa que supostamente me "corrói por dentro" me impediria de ver as qualidades do governo. Estamos diante de uma impressionante vaga de estupidez: para o chefão, o governo já desenvolve propriedades curativas; para a malta, só quem está profundamente doente pode dissentir das verdades oficiais.

Eis o espírito do tempo. Um sujeito como esse não relaxa enquanto souber que há no mundo nem que seja um só indivíduo que discorde dele. Se fosse torcedor, seria do tipo que não se contenta em ver seu time ganhar. Por ele, eliminaria todos os jogadores e a torcida adversária. Gente assim não gosta de futebol ou de política. Gosta de ditadura e tem obsessão por submeter o outro à sujeição. No univero das patologias, rapaz, a sua é a pior de todas: ódio a tudo o que é "outro". Quanto ao meu chapéu, dizer o quê? Para usá-lo, há que se ter uma cabeça que possa ao menos ser odiada.
Por Reinaldo Azevedo | 19:50 | comentários (91)
LULA, JUNGMANN E A POUPANÇA

O PT e o próprio Lula estão furiosos com o PPS e com o deputado Raul Jungmann (PE) em particular. Por quê? Porque, no horário político gratuito do partido, ele afirmou que o governo pretende seguir os passos de Collor e mexer na poupança.

Ok. Vá lá... Collor confiscou a poupança, e o governo Lula a tanto não se atreveria. Mas que se mostra disposto a mexer nas regras do jogo, disso não resta a menor dúvida. Não se trata de uma ilação, mas de uma confissão. “Ah, mas faz todo sentido macroeconômico etc e tal”. Ok. O governo que esclareça o caso à população, não é? Não pode é mentir, como tem mentido: “Ah, vamos diminuir os rendimentos para proteger o pequeno poupador”. Conversa mole.

Por que a braveza? Porque uma das coisas que ajudam o governo Lula é a pobreza de slogans das oposições, sempre envolvidas por complexas equações de economia política, preocupações que o petismo não tem.

Vejam o caso do governador Serra, por exemplo. Os petistas e os jornalistas amigos do Planalto inventaram que ele está contra o programa de casas populares do governo Lula. É aquele que construiria 1 milhão de moradias até o fim de 2010 e que agora pretende construir o mesmo número até quando Deus permitir, sem prazo. É aquele que ainda não assentou um tijolo, mas que já aparece na propaganda entre rebocos e sorrisos de felicidade.

Aparece algum tucano para dizer com clareza algo como: “O governo mente sobre o programa de casas e sobre a opinião do governador? Essas casas ficam na rua dos bobos, número zero" O partido é lento lentíssimo. Volto a Jungmann.

O PT se irrita porque o deputado tocou numa questão política sensível, simplificando um pouco a complexidade do caso – nem sempre o petismo e Lula recorrem a Schopenhauer, não é mesmo? -, mas tocando numa base verdadeira, que pode render desgaste.

E o PT não está acostumado a ser confrontado com as próprias verdades.

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