2009-04-21

CAMARADA OBAMA, A DITADURA CASTRISTA E O DITADOR HUGO CHAVEZ


OBAMISMO E CUMPLICIDADE
Chávez e Obama na Cúpula das Américas: papinho, livrinho e ditadura

Escrevi aqui ontem que daria destaque a um fato óbvio da Cúpula das Américas, por quase todos ignorado. E, vocês verão, é escandalosamente óbvio. Antes, algumas considerações.É vergonhoso o esforço dos governos da América Latina, liderado pelo Brasil, para, como é mesmo?, a normalização das relações entre Estados Unidos e Cuba. Na reunião de Barack Obama com a Unasul, o nosso Apedeuta afirmou que é impossível pensar numa nova cúpula sem a presença de Cuba. “Impossível” por quê? Cuba não participa do encontro porque há a cláusula democrática. O país é uma ditadura. A, vá lá, “mão estendida” de Obama, com laivos de mea-culpa, estimula esse comportamento bisonho do Brasil e dos demais países latino-americanos. A jogada de Obama, liberando as viagens para a ilha, foi esperta, já escrevi aqui. Mas é preciso tomar cuidado para não converter o instrumento, a esperteza, em finalidade. Explico-me, relevando aquela obviedade ignorarada.A obviedade

Neste exato momento, enquanto os EUA fazem acenos para Cuba, com os demais países do continente convertidos em prosélitos de uma tirania, a ditadura avança a olhos vistos, de modo escancarado, na Venezuela de Hugo Chávez.
Já não se trata mais apenas de um bufão, de um coronelzinho folclórico, de um doidivanas que pode ser contido pelas instituições. Não há mais instituições no país. O Legislativo e o Judiciário já foram engolfados pelo Executivo. Os referendos são usados para cassar liberdades democráticas, não para ampliá-las.Há quase 300 pessoas ligadas à oposição que estão sendo processadas, muitas delas ameaçadas de prisão. Um dos líderes oposicionistas, Manuel Rosales, prefeito de Maracaibo, decidiu pedir asilo político a um "país amigo". A alternativa é comparecer a um tribunal venezuelano para responder a processo por corrupção.
O governo recorre também ao confisco de bens dos seus inimigos. Como de hábito, Chávez tenta dar uma aparência de legalidade a seus rasgos ditatoriais. E o faz com o apoio unânime dos dirigentes latino-americanos — exceção feita a Alvaro Uribe, presidente da Colômbia.
Sob o olhar complacente do governo Obama, uma nova ditadura se consolida no continente.Vi com otimismo a decisão de Obama de permitir as viagens a Cuba. Se for mesmo uma forma de jogar o problema no colo de Raúl Castro, o ditador nanico, então se trata de uma esperteza.
Temo, no entanto, diante da óbvia escalada ditatorial na Venezuela, que se possa estar apenas diante de um líder fraco, tornado celebridade, que tem pouco a dizer ao mundo a não ser expiar culpas reais e supostas. Vá lá: as questões cubana e venezuelana são, como diria Rick em Casablanca, apenas “um punhado de feijão neste mundo louco” (ou algo assim). Mas com a Coréia e com o Irã, por exemplo, a coisa é diferente.Proponho aqui algo bem objetivo — e, por favor, esqueçam George W. Bush, o demônio de pijama. Com Barack Obama, como se vê, a América Latina não se tornará necessariamente mais democrática. Diria mais: não só não se torna mais democrática como, tudo indica, as ditaduras serão consideradas mais palatáveis.
Quando o assunto é a Coréia do Norte ou o Irã, a democracia deixa de ser uma questão, e a pergunta é outra: com Obama, o mundo ficará mais seguro? O programa nuclear iraniano, tudo indica, só anda para a frente. Ahmadinejad, o filoterrorista que preside o país, fala abertamente na destruição de Israel — coisas que os países islâmicos não conseguiriam realizar, individual ou coletivamente, numa guerra convencional.
A pergunta, para os israelenses é simples, a resposta é fácil, e a solução abre as portas do inferno: Israel deve permitir que um país que prega abertamente a sua destruição tenha a bomba nuclear? A difícil resposta fácil é esta: NÃO!!!Os mistificadores de Obama, aqui e mundo afora, acreditam que basta seu sorriso largo para que os problemas se dissipem. No que diz respeito à América Latina, enquanto alguns acenos estão sendo feitos para a decrépita ditadura cubana, uma outra ditadura vai-se consolidando, com uma mímica, que é mera caricatura, de consulta democrática.
Os acenos para Cuba mesmerizam a inteligência, e os “analistas” se esquecem de observar que a súcia latino-americana que cobra o fim do embargo a Cuba não apresentou, até agora, uma só demanda a Raúl Castro, o anão assassino.Não que Barack Obama me decepcione ou que as mesmerização obamística me surpreenda. É que, por questão de decoro até, achei que alguém se lembraria de evidenciar que o flerte do governo americano com a tirania cubana esconde o nascimento de uma outra ditadura no continente: a venezuelana.O culto ao obamismo, nesse contexto, é só uma forma de cumplicidade. Ou de feitiço.

2 comentários:

Clausewitz disse...

Bom dia, amiga. Passe lá no Blog do Clausewitz, pois tem um merecido prêmio lá para o seu Blog. Abração

Ana Maria disse...

Perguntamos aos doutos da avaliação da conjuntura
latino-americana, o que Obama precisa de todos nós?
Talvez a unidade das Américas, mas em benefício dos Estados Unidos, para manter-se na liderança internacional. Tudo parece jogo de cena.

Obama não é um incapaz que vá trabalhar contra o povo dos Estados Unidos ou contra os antigos aliados da América Latina, como o povo da Colômbia. Ele é mais hábil do que suspeitamos, nem vai cometer as terríveis infantilidades do Bush, no trato das políticas internacionais.

Assim, ele vislumbra reatar com velhos parceiros , particularmente, com nós brasileiros, para negociações e acordos na produção de energias alternativas, como biodiesel, além do comércio de minerais de terceira geração, como nióbio, que os americanos precisam e nós temos em abundância, particularmente na Amazônia.

Mas nesses assuntos, o Lula é uma topeira, que ao invés de ir negociando e pensando nos problemas brasileiros, ficam tratando das mazelas de Cuba. È público e notório que em política internacional o importante são os negócios e não essas discussões insólitas e voltadas para ideologias ultrapassadas. Perante Obama, Lula tem se pronunciado como se fosse um representante da ditadura castrista, nada mais.

Pobre Brasil !!!!
José de Araújo Madeiro