2009-03-26

COMBATE À AIDS: O PAPA ESTÁ CERTO

UM DOS MAIORES ESPECIALISTAS DO MUNDO NO COMBATE À AIDS DIZ:


“O PAPA ESTÁ CERTO”.


MAS ESSA NOTÍCIA FOI DEVIDAMENTE SONEGADA DOS LEITORES








Há coisas que você jamais vai ler na imprensa brasileira porque, dada a sua “isenção” de propaganda, às vezes letal para a inteligência e a verdade, pouco importa a consideração de uma autoridade científica ou religiosa se o que elas dizem não coincide com a metafísica politicamente correta. Aceita-se a chamada pluralidade, mas sem exageros, é claro. Querem ver?


Vocês se lembram que, em Camarões — e, de fato, foi uma mensagem para o continente africano —, o papa Bento 16 afirmou que a distribuição maciça de camisinhas não era o melhor programa de combate à AIDS. E disse que o problema poderia até se agravar.


A estupidez militante logo entendeu, ou fingiu entender, que Sua Santidade contestara a eficiência do preservativo para barrar a transmissão do vírus.


Bento 16 não tratava desse assunto, mas de coisa mais ampla. Referia-se a políticas públicas de combate à expansão da doença. Apanhou de todo lado. De todo mundo. No Brasil, noticiou-se a coisa com ares de escândalo.



Os valentes nem mesmo investigaram os números no Brasil — a contaminação continua alta e EM ALTA em alguns grupos — e no mundo.


Adiante.


Se você pesquisar um pouco, vai saber que o médico e antropólogo Edward Green (foto) é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard.


Pois bem. Green concedeu uma entrevista sobre o tema.

E o que ele disse?




O PAPA ESTÁ CERTO. AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE.

Ora, como pode o papa estar certo?


Vamos sonegar essa informação dos leitores.


Em entrevista aos sites National Review Online (NRO) e Ilsuodiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África. Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação.


Ao Ilsuodiario, assumiu claramente a posição do papa — e, notem bem!, ele fala como cientista, como estudioso, não como religioso:
O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS.
Não sabemos todas as razões.
Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação” — literalmente, nas palavras dele ao NRO: “Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa”.
Pois é… Green também afirma que o chamado programa ABC — abstinência, fidelidade e, sim, camisinha (se necessário), que está em curso em Uganda — tem-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação.
E diz que o grande fator para a queda é a redução de parceiros sexuais.
Que coisa, não?
NÃO É MESMO INCRÍVEL QUE SEXO MAIS RESPONSÁVEL CONTRIBUA PRA DIMINUIR OS CASOS DE CONTAMINAÇÃO?
Pois é... Critico as campanhas de combate à aids no Brasil desde o Primeira Leitura, como sabem. E, aqui, desde o primeiro dia. Há textos às pencas no arquivo.


A petralhada que se pensa cheia de veneno e picardia erótica gritava:
“Você quer impor seu padrão religioso ao país...”
Ou então:
“Você não gosta de sexo...”
Pois é.
Vai ver Harvard escolheu um idiota católico e sexofóbico para dirigir o programa...
Bento 16 apanhou que deu gosto.
E apanhou pelo que não disse — e ele jamais disse que a camisinha facilita a contaminação de um indivíduo em particular — e pelo que disse: a AIDS é, sim, uma doença associada ao comportamento de risco e, pois, às escolhas individuais.
Sem que se mude esse compartamento, nada feito.
Pois é...
O mundo moderno não aceita que as pessoas possam ter escolhas.
Como já escrevi aqui certa feita, transformaram a camisinha numa nova ética.
E, como tal, ela é de uma escandalosa ineficiência.

Um comentário:

Anônimo disse...

E agora Lula?