2010-03-16

Mensalão, parte 2: Lula admite que mentiu durante cinco anos

 

 O País quer Saber

Lula bravo

15 de março de 2010

  • Share/Bookmark

COMENTÁRIOS (6)

A Folha de S. Paulo antecipou há uma semana o que Lula dirá à Justiça no depoimento sobre o escândalo do mensalão: ouviu o palavrão pela primeira vez em março de 2005, numa conversa com Roberto Jefferson. O presidente da República mentiu durante quase cinco anos, deveria ter acrescentado o jornal, que divulgou no início de junho de 2005 o encontro que Lula sempre negou ter existido.

E continua mentindo, informa a releitura da entrevista concedida à Folha por Jefferson, então deputado federal e presidente do PTB, que começou a escancarar o maior escândalo político-policial do Brasil republicano. A conversa no Palácio do Planalto não ocorreu em março, mas em janeiro. No gabinete presidencial, Lula ouviu a narrativa ─ testemunhada, segundo Jefferson, pelos ministros José Dirceu, Aldo Rebelo e Walfrido dos Mares Guia ─ em silêncio e aparentando perplexidade, declarou-se grato ao informante e prometeu providências imediatas.

Dez dias mais tarde, no depoimento à CPI que nasceu para investigar a roubalheira nos Correios mas acabou devassando o pai de todos os escândalos, Jefferson enriqueceu com detalhes hiperbólicos o encontro no Planalto. ”A reação do presidente foi a de quem levara uma facada nas costas”, comparou. “As lágrimas desceram dos olhos dele.  Ele levantou e me deu um abraço”.

Em seguida, decidido a poupar Lula do tiroteio, o depoente concentrou-se no alvo preferencial. “Vi um homem de bem se sentir traído por um cordão de isolamento que havia em torno dele”, mirou no chefe da Casa Civil. “Aí descobri por que a gente era sempre barrado no Zé Dirceu. No Rasputin”. O discurso foi subindo de tom até desembocar na exortação famosa: “Saí daí, Zé! Rápido, sai daí rápido, Zé”.

Zé não demorou a ser despejado, mas as providências imediatas ficaram na promessa, confirma a reportagem da Folha que revelou as linhas gerais do depoimento ensaiado por Lula. ele dirá à Justiça que, depois de ouvir as denúncias feitas por Jefferson, escalou para investigá-las o ministro Aldo Rebelo e o deputado Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara. A dupla de sherloques apresentou em poucos dias as conclusões do inquérito: não haviam localizado nenhuma evidência, nenhum indício, nenhuma pista.

Não enxergaram sequer vestígios da montanha de provas acumuladas nos meses seguintes. Em vez de dois detetives governistas, trataram do caso a imprensa, a polícia, o Ministério Público, a CPI dos Correios, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal. Passados quase cinco anos, o que se sabe é mais que suficiente para que os integrantes da organização criminosa sofisticada sofram o castigo merecidíssimo.

Mas Lula repete desde junho de 2005 que todos os bandidos de estimação são inocentes. Entre as inumeráveis mentiras que contou, só vai revogar a que ocultou o encontro com Jefferson. E decerto dirá, mais uma vez, que o mensalão não existiu. Se o Brasil fosse menos primitivo, o depoente seria preso por perjúrio, ocultação de provas e obstrução da Justiça.

Tags: Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, José Dirceu, Lula, mensalão, Roberto Jefferson

 

SEÇÃO » O País quer Saber

O pai de todos os escândalos (parte 1: Deonísio da Silva explica a origem da palavra mensalão)

24 de fevereiro de 2010

  • Share/Bookmark

COMENTÁRIOS (23)

Como foi o episódio do mensalão?, precisa saber o Brasil dos desmemoriados. Como nasceu, cresceu e começou a morrer o pai de todos os escândalos? Que fim levou o bando que montou o esquema criminoso e dele usufruiu gulosamente? Estas e outras perguntas serão respondidas nesta série sobre a mais espantosa roubalheira da história da República. No texto de abertura, o escritor e professor Deonísio da Silva, um dos mais notáveis domadores de palavras do Brasil, explica a origem do termo mensalão. Bom começo. O resto saberemos nos posts seguintes.

Se o leitor procurasse o verbete “mensalão” nos dicionários antes de 2005, não o encontraria. O português veio do latim, mas na Roma antiga havia corrupção, que era combatida duramente por oradores e políticos como Cícero, que por falar tanto e tão bem deu nome aos guias turísticos, os cicerones. Mas não havia mensalão. Esta palavra é criação genuinamente brasileira, adaptada de mensal, um adjetivo de dois gêneros que foi substantivado e transformado em aumentativo.

Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República, foi quem fez a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF): uma organização criminosa, chefiada por José Dirceu, ex-deputado federal, cassado por seus pares, e ex-ministro da Casa Civil, demitido pelo presidente Lula, era integrada por quarenta pessoas, que foram acusadas de oito crimes, pelos quais estão respondendo no STF, depois que a denúncia foi aceita pelo ministro Joaquim Barbosa. Os crimes: formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Na mesma denúncia, o publicitário Duda Mendonça responde por operações de lavagem de dinheiro, por ter recebido do PT uma montanha de dinheiro no exterior. O Brasil passou a tomar conhecimento do esquema por meio das denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), publicadas originalmente pela Folha de S. Paulo em 6/6/2005. Dos 40 denunciados, cinco são mulheres.

Este artigo faz considerações sobre palavras extraídas de reportagens que se ocuparam da denúncia e tiveram como tema solar o mensalão.

Mensalão veio de mensal, mesma origem de mensalinho, que nasceu por analogia com mensalão. Mensalinho ainda não está nos dicionários. Mensalão, já. (AN: o escândalo do mensalão envolveu meio mundo. O caso do mensalinho foi estrelado solitariamente pelo deputado pernambucano Severino Cavalcanti. Presidente da Câmara, o parlamentar do PP teve de deixar o cargo depois da descoberta de que extorquia mensalidades de R$ 10 mil do empresário Sebastião Buani, que explorava o restaurante da Câmara. Era o mensalão em ministura. Um mensalinho).

Mensal chegou ao português no século 18, segundo registro do padre Rafael Bluteau, o mesmo que encomendou a criação da palavra pirilampo para substituir caga-fogo ou caga-lume, aceitando mais tarde o eufemismo vaga-lume. Mensal veio do latim tardio mensualis, que provavelmente mesclou mês (mensis) e medida, feminino de medido (mensus).

É impossível que nenhum jornalista tenha ouvido a palavra antes da publicação das denúncias. O neologismo estava na boca de diversos parlamentares cujas ações eles cobriam.

Utilizada na matéria que desvendou o esquema da organização criminosa denunciada pelo procurador-geral da República ao STF, a palavra ganhou também a mídia internacional, dando trabalho aos tradutores.

Redatores de países em que o espanhol é a língua oficial, adotaram mensalón. No inglês, virou big monthly allowance (grande pagamento mensal) e vote-buying (compra de votos. O prestigioso jornal francês Le Monde referiu em meio a expressões insólitas de reportagens sobre o governo Lula, tais como scandale de corruption, um certo “mensalao”, mensualité versée à des députés alliés au PT, révélé en 2005.

Nota: este artigo é uma adaptação de vários textos escritos para o Observatório da Imprensa. A coleção completa desse e de outros verbetes está no livro “De onde vêm as palavras” (Editora Novo Século), de Deonísio da Silva, que está na 16ª edição. O escritor também assina a coluna Etimologia, publicada semanalmente na revista CARAS.

Agora que vocês já sabem como nasceu a palavra, preparem o estômago: vem aí o parto do mensalão.

"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."

Verdades e mentiras

Sá e Guarabyra


http://www.youtube.com/watch?v=ymm4GCff3As
Composição: Sá/Guarabyra
Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade
Às vezes o povo se esconde se esquece
Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobre
Qual deles mais desce
Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
Tem gente que jura que a vida é virtude
Tem gente que faz o bem por falsidade
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o Diabo unidos na prece
Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira

2010-03-15

A contracultura no poder

A CONTRACULTURA NO PODER

Casal_hippie

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 15 de março de 2010

Já observei mil vezes que no Brasil de hoje a linguagem da elite soi disant alfabetizada se reduziu a um sistema formal de pressões e contrapressões, onde as palavras valem pela sua carga emocional acumulada, com pouca ou nenhuma referência aos dados correspondentes na experiência real de falantes e ouvintes.

A mais alta função da linguagem – a transposição da realidade em pensamento abstrato e o retorno deste à realidade, como instrumento de iluminação da experiência – fica assim bloqueada, restando apenas, de um lado, a expressão tosca e direta de desejos e temores, e, de outro, a imposição de reações estereotípicas, como os comandos emitidos por um amestrador de bichos que não espera de seus amestrados nenhuma compreensão racional, apenas a obediência automática, sonsa, impensada.

As causas desse estado de coisas remontam à “contracultura” dos anos 60, sob cuja influência formou-se a mentalidade dos homens que hoje dirigem o país. Enquanto pura expressão do protesto juvenil ante um mundo complexo demais, a contracultura podia até exercer alguma função positiva, como estímulo crítico à renovação do legado milenar que legitimava, cada vez mais da boca para fora, a cultura dominante. Transmutada ela própria em cultura dominante, a onda contracultural cristaliza-se em inversão compulsiva, mecânica e burra, de todos os valores e de todos os príncípios. No prazo de uma geração, os mais altos conhecimentos, as mais ricas e delicadas funções da inteligência, os valores mais essenciais da racionalidade, da moral e das artes cedem lugar à repetição maquinal de slogans e chavões carregados de ódios insensatos e apelos chantagistas, boa somente para despertar aquela obediência servil extremada que, para maior satisfação do manipulador, se camufla sob afetaçôes de espontaneidade e até de rebeldia no instante mesmo em que tudo cede às injunções de cima. Transmutado ele próprio em estereótipo, o inconformismo torna-se o pretexto oficial do conformismo mais extremo e mais abjeto, aquele que não se contenta em obedecer, mas procura mostrar serviço, agradar, bajular.

Num primeiro momento, a única vítima é a alta cultura, que desaparece sob a glorificação do pior e do mais baixo. Logo em seguida, o sistema educacional inteiro é infectado: substituída a exigência de qualidade pela da “correção política”, o clamor dos grupos de pressão torna-se a única fonte da autoridade pedagógica, impondo novos padrões de conduta em vez das regras da gramática, da lógica e da aritmética, premiando o sex appeal em vez das boas notas e, nos casos mais escandalosos, incentivando abertamente atos criminosos sob a desculpa de que são próprios da juventude ou justas expressões de protesto contra o establishment, como se os propugnadores dessa idéia não fossem eles próprios, agora, o establishment.

Até aí, a velha elite dominante pode permanecer indiferente ao processo, que não a afeta diretamente. Pode até sentir uma ponta de satisfação malévola ao ver que os revolucionários se contentam em destruir a educação e a cultura, que para ela não significam nada, sem tocar no seu rico dinheirinho. Quando, ante a devastação revolucionária de todos os valores, o homem de posses assegura com tranqüilidade olímpica que “nossas instituições democráticas são sólidas”, o que ele quer dizer é que pouco lhe importa a destruição do mundo, desde que permaneça intacto o seu patrimônio – como se este fosse uma entidade metafísica, subsistente no vácuo, independentemente das contingências político-sociais.

Mas o passo seguinte da demolição revolucionária da sociedade já vem abalar até a falsa segurança do burguês. Isso acontece quando a geração de jovens formados sob a influência da contracultura começa a ocupar os altos postos na burocracia legislativa, fiscal e judiciária e a transmutar em estados de fato as fantasias torpes de seus cérebros meticulosamente desengonçados: diante dos feitos dessas criaturas, pela primeira vez os ricos começam a tomar ciência de que o dinheiro não é um poder em si, é apenas um símbolo provisório garantido pelo poder efetivo, o poder político, agora em mãos de pessoas que já não querem garanti-lo mais.

Já nem falo, por óbvio demais, do Plano Nacional de “Direitos Humanos”, que assegura ao invasor a posse imediata do imóvel invadido e faz dele o juiz soberano do seu próprio crime. Igualmente perverso, e muito mais sorrateiro, o Projeto de Lei 2412 modifica os critérios para o processamento administrativo das execuções fiscais. Conforme alertou recentemente o Prof. Denis Rosenfield, “o projeto está atemorizando o setor jurídico do país e começa a mobilizar o grande empresariado. Ele simplesmente concede o direito de transferência de bens de devedores tributários para a União, excluindo o devido processo legal.” Você deve ao fisco? Ele vem e toma as suas propriedades instantaneamente, diretamente, sem precisar de uma sentença judicial para isso.

Você dirá que é inconstitucional? De que serve isso, diante da Súmula Vinculante nº. 10 do Supremo Tribunal Federal, com base na qual se sustenta a tese de que os juízes singulares não podem mais, por si, suspender a aplicação das leis ou atos normativos que lhes pareçam inconstitucionais? Inconstitucional ou não, cada lei, decreto ou portaria continuará valendo para todos os casos particulares até que o plenário do tribunal ou o STF, ao fim de alguns anos ou décadas e de uma série infindável de danos, decidam em contrário. (Aguardem uma denúncia mais completa dessa bestialidade no 35º. Simpósio de Direito Tributário, a realizar-se sob a direção do Prof. Ives Gandra da Silva Martins.)

Esse tipo de justiça hedionda não surge do nada. Ela pressupõe décadas de destruição da inteligência jurídica, substituída gradativamente por automatismos verbais politicamente agradáveis à mentalidade revolucionária. E essa substituição não ocorre antes que toda a esfera da cultura superior e da educação tenha sido infectada de contracultura. De que adianta “mobilizar o empresariado” para neutralizar este ou aquele efeito específico de um processo geral de degradação cultural ante o qual esse empresariado permaneceu neutro ou alegremente cúmplice ao longo de trinta anos? De que vale tentar enxugar uns respingos, quando a onda que os dispara já se avolumou ao ponto de submergir o território inteiro? De que vale tentar vencer uma batalha, quando já se aceitou perder a guerra?

Ou o empresariado se dispõe a combater em todos os fronts, inclusive os mais remotos do seu interesse imediato, ou pára logo com essa farsa suicida de defender no varejo aquilo que já cedeu no atacado.

Barack Obama fará treinamento de guerrilha no Brasil. Dilma Rousseff será instrutora de armas pesadas.

Escrito por Emmanuel Goldstein
Seg, 15 de Março de 2010 12:15


A Casa Branca (que em breve será renomeada para Casa Vermelha) anunciou nesta segunda-feira que o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, fará um treinamento militar avançado em guerrilha urbana no Brasil. Segundo a nota oficial, o presidente americano disse que este é "o primeiro passo para a consolidação da Juventude Obamista (1)".
Fontes do governo afirmam que a camarada Dilma Rousseff é a pessoa mais indicada para dar orientações sobre o correto manuseio de armas curtas e fuzis Kalashnikov.
“Dilma recebeu treinamento de guerrilha no Uruguai (2) e aprendeu a trabalhar com armas mais pesadas do que as usadas normalmente pelos policiais. Ela ama a humanidade progressista e por isso participou de várias organizações marxista-leninistas que praticavam terrorismo, assaltos e seqüestros na décadas de 1960 e 1970. Obama tem muito o que aprender com ela”, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Mao Tsé-Tung Gibbs.
Obama disse ainda que está ansioso para absorver os conhecimentos e as habilidades acumuladas pelos mestres da guerra revolucionária como o terrorista assassino e psicopata líder comunista Carlos Marighella.
A secretária de Estado americana, Hillary Ho Chi Minh Clinton, afirmou que as batalhas políticas internas nos Estados Unidos estão cada vez mais acirradas e que o presidente precisa aprimorar suas habilidades revolucionárias para o tomar o poder  absoluto, desarmar a população, acabar com o federalismo e construir o socialismo.


“Dilma acumulou muita experiência ao longo de sua carreira na militância marxista. Fiquei muito entusiasmada e empolgada quando li as propostas democráticas do Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos. A censura, o aborto, o desarmamento da população civil e a perseguição aos religiosos são medidas básicas sem as quais fica verdadeiramente difícil implantar um regime coletivista. Obama também pretende implantar em nosso país o Programa de Aceleração do Comunismo (PAC)”, disse Hillary Clinton.
“Camarada Dilma Rousseff, minha companheira de armas”, assim Obama pretende saudar a herdeira do cargo de Kim Jong-il quando conseguir recuperar seu teleprompter que foi seqüestrado no ano passado pela Al-Qaeda (3).


http://www.vanguardapopular.com.br/portal/noticias/133-barack-obama-fara-treinamento-de-guerrilha-no-brasil-dilma-rousseff-sera-instrutora-de-armas-pesadas

OS SULTÕES DO PETÓLEO

Os sultões do petróleo brasileiro

por Percival Puggina em 15 de março de 2010 Opinião - Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, chorando o petróleo derramado...

Eu não sabia, juro. Eu não sabia que os royalties do petróleo representavam essa dinheirama para os privilegiados Estados e municípios que deles se beneficiam, por graça de Deus e bênção da natureza. “Allah akbar!”, deveriam proclamar diariamente seus governadores e prefeitos, dissimulados sultões do petróleo brasileiro.

Em recente sessão do Senado Federal, que assisti petrificado ante os números que eram expostos pelos oradores, ouvi de um deles que o município de Campos, sem os royalties do petróleo, iria quebrar. Como é que é? Um município que vive de royalties? Horas mais tarde, era o governador Sérgio Cabral que chorava de torcer lenço ensopado, com a aprovação da emenda Ibsen Pinheiro, na Câmara dos Deputados. O Rio de Janeiro perderia R$ 4,5 bilhões ao ano. Bilhões? Bilhões.


Eu quis saber mais. Entrei no Google Earth e fui olhar as fotos de Campos, bela cidade, com mais de 400 mil habitantes. Ali se concentram seis das sete usinas de açúcar e álcool do Estado e a maior parte da indústria cerâmica fluminense. Ali está a Universidade do Norte Fluminense e há um hospital universitário que dá vontade de adoecer só para ser internado. Parece-lhe razoável, leitor, que uma comuna desse porte viva de royalties? Noventa e nove por cento dos municípios brasileiros têm suas finanças lastreadas em coisas frugais e triviais como IPTU, ISSQN, e os respectivos retornos de tributos estaduais e federais. A vida é assim para todo mundo, poxa!


A questão dos royalties pagos aos sultanatos do petróleo verde-amarelo é mais uma face da poliédrica iniquidade nacional. Ela aparece nas distorções causadas pelo patrimonialismo. Ela se manifesta na voracidade do corporativismo, inclusive entre aqueles sempre dispostos a fazer justiça com o que é dos outros, mas que se aferram em qualquer interpretação legal que lhes robusteça os exuberantes contracheques. E ela aparece nos desatinos com que o bolsa-ditadura remunera os guerrilheiros e terroristas que foram às armas pela implantação do comunismo no Brasil. O sultanato do petróleo é apenas mais uma face do mesmo mal.


Alega-se que esses royalties são “indenizações”. A exploração de petróleo no mar causaria riscos e prejuízos. Mas é um negócio tão bom que até eu encaro. Me mandem os royalties que eu abraço a conta dos prejuízos. Certo? É muito dinheiro! E note mais, leitor. Cada vez que você, em qualquer lugar do Brasil, enche o tanque do carro, está bancando, por via indireta, os royalties que a nossa Petrobras paga pelo petróleo que extrai. E custeando, também, os investimentos da empresa. Investimentos que geram empregos que não são do seu Estado. Ou seja, o ônus do petróleo nacional é todo seu, mas o filé dos investimentos e dos bônus vai para os sultanatos que se estabeleceram no país. Apenas por acaso, esses estados e municípios são os mesmos que, agora, estendiam os olhos e as mãos para o anunciado dindim do pré-sal. Eles juram que tem tudo a ver com eles esse óleo localizado 300 km mar adentro, lá onde o caranguejo perdeu a casca, e sete quilômetros abaixo do nível onde as cariocas se bronzeiam.

2010-03-13

A palavra mais em voga na alta burocracia estatal é “modernização”

MODERNIZAÇÃO TOTALITÁRIA

Telescreen

Por Nivaldo Cordeiro

13 de março de 2010

A palavra mais em voga na alta burocracia estatal é “modernização”, basicamente entendida como a aplicação de sistemas informatizados às rotinas de trabalho. A informática mostrou-se uma ferramenta bastante adequada para a ossificação do poder da burocracia. Os fluxos de rotinas ficaram rigidamente estabelecidos, os registros de cada ação congelados para sempre em bancos de dados e o poder da hierarquia superior gerenciar cada etapa de trabalho e mesmo o desfecho de cada processo agigantou-se.

Informática e serviço público formam um binômio inseparável e não ao acaso o valor dos investimentos em serviços informatizados tem crescido a cada ano. O fato ganhou relevo com o mensalão do DEM, de José Roberto Arruda, que teve nos prestadores de serviços de informática o desagradável destaque no pagamento das propinas. O homem da modernização do GDF, Durval Barbosa, tem sido a grande estrela do escândalo, mais até do que o próprio governador.

Por suas características a informática se presta a ser um perigo nas mãos de governantes mal intencionados. É capaz de gerar prisões virtuais, como as tornozeleiras de acompanhamento de apenados, de monitorar indivíduos e mesmo multidões, de processar palavras em textos e em voz e, assim, servir de instrumento de vigília sobre o comportamento e o pensamento das pessoas. Se um Hitler ou um Stalin tivessem a informática ao seu dispor certamente sua eficácia na ação maléfica teria aumentado superlativamente.

Mais do que nunca a necessidade de haver governantes moralmente superiores se coloca como problema para a humanidade. Os meios de morte e de ação totalitária ganharam músculos nos últimos cem anos. As liberdades correm perigo.

Essas reflexões me vêm a propósito da mais recente ação do governo Lula no rumo do totalitarismo, mais até do que o nefando decreto que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos. O termo “modernização” aqui foi usado como desculpa para desfigurar a ordem jurídica do país. Refiro-me à notícia de que o Executivo Federal remeteu ao Congresso Nacional três projetos de lei e um projeto de lei complementar com o objetivo de “modernizar”a administração tributária da União. O editorial do Estadão de hoje (Terror tributário) traz bem o resumo dos fatos e pontua, a partir do título, a essência da iniciativa legislativa.

Lá podemos ler:Princípios essenciais do Estado de Direito são ignorados pelas propostas - três projetos de lei e um projeto de lei complementar - que o governo Lula enviou ao Congresso a pretexto de "modernizar" a administração tributária e tornar sua atuação "mais transparente, célere e eficiente". Garantias constitucionais como a inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados são desacatadas pelas propostas. A Receita Federal disporá de tantos poderes que poderá agir como polícia e até substituir o Judiciário”.

Mesmo um veículo cúmplice com a ordem petista, como é o Estadão, não poderia fechar os olhos a essa loucura. Não ao acaso os outros dois grandes jornais, O Globo e a Folha de São Paulo, ignoraram o tema, o que mostra que o grau de cumplicidade de cada veículo da grande mídia pode variar. A palavra modernizar está aí muito mal empregada. Simplesmente Lula e o PT querem transformar a Receita Federal em uma forma renovada de Gestapo que, além de deter os poderes específicos da Secretaria, teria também poder de polícia e de Justiça. Como a Receita já detém poder legislativo por meio de portarias e ordens de serviços, mais das vezes ao arrepio da Constituição, teríamos aqui o Estado Total formatado da maneira mais teratológica.

Veja-se que o móvel aqui é perseguir os “ricos”, pois por suposto pobres estariam livres da perseguição, a menos que se tornassem ricos também. O viés da luta de classe está estampado com todas as letras. No intuito de realizar a sua “justiça social” a corte petista quer praticar toda sorte de injustiças contra o extrato superior de renda.

Mesmo esse viés é também um degrau para o objetivo maior: o pleno controle da vida de toda gente por parte da burocracia do Estado, agora fundida com o partido, o PT. É o totalitarismo a plena bandeira. Dá para imaginar o que podem esperar os brasileiros se Dilma Rousseff, a radical, for entronizada como presidenta do Brasil.

Caro leitor, você voaria num Jumbo pilotado por Lula? Ou por Dilma Rousseff? O Brasil é o Jumbo e se aproxima velozmente da montanha, voando baixo. Amarrem os cintos e se preparem para o pior. O acidente será fatal. Cada um deles carrega um colar de bombas na forma de projetos de lei malucos como esse aí. Os terroristas tomaram o avião e fizeram dos brasileiros seus reféns. Nada de bom é de se esperar.

NÃO TOMEM A VACINA CONTRA A GRIPE SUINA

O caso das vacinas contra a gripe porcina - de novo!

 

Comentários e tradução: G. Salgueiro

 

artigo roubado descaradamente do blog notalatina, desculpe Graça, mas esse eu tive que “robá”

http://notalatina.blogspot.com/2010/03/o-caso-das-vacinas-contra-gripe-porcina.html 

Recebi hoje de manhã um e-mail de um amigo querendo confirmação a respeito de uma nota escrita por mim no ano passado sobre a gripe porcina (H1N1) e, embora não fosse minha intenção voltar a falar neste assunto, pelo menos não no Notalatina, vi-me forçada a fazê-lo considerando que começou a vacinação no Brasil desde o dia 10. Na nota que escrevi em 10 de outubro do ano passado, eu já alertava para o perigo de se tomar a tal vacina e da fraude monstruosa que fora criada para justificar uma vacinação em massa absolutamente desnecessária, e qualificar tal enfermidade como sendo uma “pandemia”.

Baseava-me, naquela ocasião, nos depoimentos de duas pessoas sérias: a monja beneditina catalã, Teresa Forcades, e a jornalista austríaco-irlandesa Jane Bürgermeister. Continuo acreditando na seriedade do trabalho dessas duas senhoras e confiando que ambas falam a verdade. E é por isso que retomo o tema, considerando que o tal “alarme pandêmico” vem sendo desacreditado desde janeiro deste ano pela União Européia, baseada nas denúncias feitas por essas duas estudiosas mas, mesmo assim, o Brasil fez vista grossa e continua, apesar de meses de atraso, a se acumpliciar com esta farsa criminosa.

Em 15 de janeiro de 2010, o informativo argentino Urgente24trazia uma matéria intitulada: Falsa pandemia: a União Européia investigará as farmacêuticas e a OMS por enganar a população”. Segue abaixo o texto traduzido, que prefiro reproduzi-lo na íntegra dada a sua gravidade:

“O Conselho dos Estados membros da Europa porá em marcha uma investigação em fevereiro de 2010 sobre a influência das empresas farmacêuticas na campanha mundial da gripe Porcina, centrando-se especialmente no grau de influência da indústria farmacêutica sobre a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A Comissão de Saúde do parlamento da União Européia aprovou por unanimidade uma Resolução instando tal investigação. O passo é um movimento de longo prazo com o objetivo de conseguir transparência pública do ‘Triangulo Dourado’ de corrupção da OMS, da Indústria Farmacêutica e dos cientistas acadêmicos que geraram danos à vida de milhões de pessoas.

O Parlamento Europeu ficará encarregado de investigar a OMS e o porquê do escândalo da ‘pandemia’.

A moção parlamentar foi apresentada pelo Dr. Wolfgang Wodarg (na foto), ex-deputado do SPD no Bundestag (Parlamento alemão) e agora presidente da Comissão de Saúde do Parlamento Europeu.

Wodarg é um doutor em medicina e epidemiologista, especialista em enfermidades pulmonares e em medicina ambiental. Ele considerou que a campanha da OMS contra a ‘pandemia’ da gripe porcina foi ‘um dos maiores escândalos médicos do século’. O texto da resolução, que foi respaldado pelas Nações Unidas e um suficiente número de membros do Conselho do Parlamento Europeu, diz entre outras coisas:

A fim de promover seus medicamentos patenteados e suas vacinas contra a gripe, as empresas farmacêuticas fizeram uso de sua influência sobre os cientistas e sobre os organismos oficiais, responsáveis por estabelecer as normas de saúde pública, para alarmar os governos de todo o mundo e fazê-los gastar mal os recursos sanitários em ineficientes estratégias de vacinação e expor desnecessariamente milhões de pessoas saudáveis ao risco de uma desconhecida quantidade de efeitos secundários das vacinas que foram insuficientemente provadas. A campanha da gripe aviária (2005-2006), combinada com a campanha da ‘gripe porcina’, parece ter carregado um alto nível de danos não só em alguns pacientes vacinados e aos orçamentos públicos sanitários, mas também à credibilidade e à prestação de contas de importantes organismos internacionais da saúde’.

A investigação parlamentar examinará a questão da ‘falsa pandemia’ porque foi declarada pela OMS em junho de 2009 assessorada por seu grupo de experts acadêmicos, SAGE, muitos dos quais provou-se que têm fortes vínculos financeiros com os próprios gigantes farmacêuticos como Glaxo, SmithKline, Roche, Novartis, que se beneficiaram com a produção de fármacos e das não testadas vacinas contra a gripe H1N1. Também se investigará a influência da indústria farmacêutica na criação de uma campanha mundial contra as denominadas gripes aviária e H5N1 da gripe porcina H1N1. Será dado um caráter de urgência e prioridade à investigação na assembléia geral do Parlamento.

Wodarg diz que o papel da OMS e sua declaração de emergência pandêmica em junho de 2009, devem ser o primeiro objetivo da investigação do Parlamento Europeu. Os critérios da OMS para a declaração de uma pandemia foram modificados pela primeira vez em abril de 2009, requeridos simultaneamente com a notificação dos primeiros casos de gripe porcina no México, sem sinalizar para o risco real de uma enfermidade, senão que modificou-se o número de casos para a declaração de uma pandemia. Ao classificar a gripe porcina como uma pandemia, os países viram-se obrigados à aplicação de planos de pandemia e à compra de vacinas contra a enfermidade, mesmo quando ainda não era necessário.

Como a OMS não se acha submetida a controle parlamentar algum, Wodarg argumenta que é necessário que os governos exijam uma prestação de contas. A investigação examinará também o papel dos organismos públicos alemães encarregados de emitir diretrizes sobre a pandemia: o Paul-Ehrlich e o Instituo Robert-Koch”.

Bem, como vocês puderam atestar, trata-se da mais aberrante empulhação criminosa, o que está custando vidas com lesões neurológicas permanentes, além de óbitos desnecessários pois, como diz na própria resolução, vacinou-se pessoas saudáveis para fazê-las adoecer.

Mas NADA disto foi noticiado no Brasil pelos jornalões e muito menos pelo Ministério da Saúde, que estabeleceu uma tabela de vacinação e já começou esta prática criminosa. Deus permita que não tenham inoculado o vírus letal em muitas pessoas. Eu tenho esta informação desde janeiro deste ano mas, conforme disse acima, como este não é o tema abordado pelo Notalatina li com preocupação e arquivei; por isso agradeço ao amigo que me “cutucou” sobre o assunto, pois senão nem eu mesma ia lembrar. Como agora o insensato e comunista governo brasileiro resolveu dar sua contribuição à patifaria criminosa, não posso me calar, sob pena de estar cometendo crime por omissão. Espero que vocês, leitores deste blog, divulguem a quantas pessoas puderem alertando-as a não se submeterem a este crime de lesa-humanidade como cordeiros que seguem calados ao abatedouro sem berrar. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e tradução: G. Salgueiro

O PT E OS 12%

O pedágio do PT

Além de desviar dinheiro da Bancoop, o tesoureiro do partido
arrecadava dinheiro para o caixa do mensalão cobrando propina


Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy

Fotos Wladimir de Souza/Diário de São Paulo e Sérgio Lima/Folha Imagem

O ELO PERDIDO DO MENSALÃO
O corretor de câmbio Lúcio Funaro prestou seis depoimentos sigilosos à Procuradoria-Geral da República, nos quais narrou como funcionava a arrecadação de propina petista nos fundos de pensão: "Ele (João Vaccari, á esq.) cobra 12% de comissão para o partido"

VEJA TAMBÉM

Na revista: A casa caiu

O novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é uma peça mais fundamental do que parece nos esquemas de arrecadação financeira do partido. Investigado pelo promotor José Carlos Blat por suspeita de estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no caso dos desvios da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), Vaccari é também personagem, ainda oculto, do maior e mais escandaloso caso de corrupção da história recente do Brasil: o mensalão - o milionário esquema de desvio de dinheiro público usado para abastecer campanhas eleitorais do PT e corromper parlamentares no Congresso. O mensalão produziu quarenta réus ora em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles não está Vaccari. Ele parecia bagrinho no esquema. Pelo que se descobriu agora, é um peixão. Em 2003, enquanto cuidava das finanças da Bancoop, João Vaccari acumulava a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Ele tocava o negócio de uma maneira bem peculiar: cobrando propina. Propina que podia ser de 6%, de 10% ou até de 15%, dependendo do cliente e do tamanho do negócio. Uma investigação sigilosa da Procuradoria-Geral da República revela, porém, que 12% era o número mágico para o tesoureiro - o porcentual do pedágio que ele fixava como comissão para quem estivesse interessado em se associar ao partido para saquear os cofres públicos.

Fotos Celso Junior/AE e Eliária Andrade/Ag. O Globo

"Ele (Vaccari) chamava o Delúbio de 'professor'. É homem do Zé Dirceu. Faz as operações com fundos grandes - Previ, Funcef, Petros..."
Corretor Lúcio Funaro, em depoimento ao MP

CAPO
José Dirceu tinha Delúbio Soares (à esq.) e Vaccari como arrecadadores para o mensalão. O tesoureiro atual do PT cuidava dos fundos de pensão

A revelação do elo de João Vaccari com o escândalo que produziu um terremoto no governo federal está em uma série de depoimentos prestados pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores especialistas em cometer fraudes financeiras do país. Em 2005, na iminência de ser denunciado como um dos réus do processo do mensalão, Funaro fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em troca de perdão judicial para seus crimes, o corretor entregou aos investigadores nomes, valores, datas e documentos bancários que incriminam, em especial, o deputado paulista Valdemar Costa Neto, do PR, réu no STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em um dos depoimentos, ao qual VEJA teve acesso, Lúcio Funaro também forneceu detalhes inéditos e devastadores da maneira como os petistas canalizavam dinheiro para o caixa clandestino do PT. Apresentou, inclusive, o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão - o tesoureiro João Vaccari Neto. "Ele (Vaccari) cobra 12% de comissão para o partido", disse o corretor em um relato gravado pelos procuradores. Em cinco depoimentos ao Ministério Público Federal que se seguiram, Funaro forneceu outras informações comprometedoras sobre o trabalho do tesoureiro encarregado de cuidar das finanças do PT:

Divulgação

"Rural, BMG, Santos... Tirando os bancos grandes, quase todos têm negócio com eles."
Corretor Lúcio Funaro, em depoimento ao MP

• Entre 2003 e 2004, no auge do mensalão, João Vaccari Neto era o responsável pelo recolhimento de propina entre interessados em fazer negócios com os fundos de pensão de empresas estatais no mercado financeiro.

• O tesoureiro concentrava suas ações e direcionava os investimentos de cinco fundos - Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica), Nucleos (Nuclebrás), Petros (Petrobras) e Eletros (Eletrobrás) -, cujos patrimônios, somados, chegam a 190 bilhões de reais.

• A propina que ele cobrava variava entre 6% e 15%, dependendo do tipo de investimento, do valor do negócio e do prazo.

• O dinheiro da propina era carreado para o caixa clandestino do PT, usado para financiar as campanhas do partido e subornar parlamentares.

• João Vaccari agia em parceria com o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares e sob o comando do ex-ministro José Dirceu, réu no STF sob a acusação de chefiar o bando dos quarenta.

Fotos Lula Marques/Folha Imagem e Celso Junior/AE

O PATROCINADOR
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, indicou Vaccari para tesoureiro do partido na campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff, embora dirigentes da sigla tenham tentado vetar o nome do sindicalista, por ele ter "telhado de vidro"

Lúcio Funaro contou aos investigadores o que viu, ouviu e como participou. Os destinos de ambos, Funaro e Vaccari, se cruzaram nas trilhas subterrâneas do mensalão. Eram os últimos meses de 2004, tempos prósperos para as negociatas da turma petista liderada por José Dirceu e Delúbio Soares. As agências de publicidade de Marcos Valério, o outro ponta de lança do esquema, recebiam milhões de estatais e ministérios - e o BMG e o Rural, os bancos que financiavam a compra do Congresso, faturavam fortunas com os fundos de pensão controlados por tarefeiros do PT. Naquele momento, Funaro mantinha uma relação lucrativa com Valdemar Costa Neto. Na campanha de 2002, o corretor emprestara ao deputado 3 milhões de reais, em dinheiro vivo. Pela lógica que preside o sistema político brasileiro, Valdemar passou a dever-lhe 3 milhões de favores. O deputado, segundo o relato do corretor, foi cobrar esses favores do PT. É a partir daí que começa a funcionar a engrenagem clandestina de fabricação de dinheiro. O deputado detinha os contatos políticos; o corretor, a tecnologia financeira para viabilizar grandes negociatas. Combinação perfeita, mas que, para funcionar, carecia de um sinal verde de quem tinha o comando da máquina. Valdemar procurou, então, Delúbio Soares, lembrou-lhe a ajuda que ele dera à campanha de Lula e pediu, digamos, oportunidades. De acordo com o relato do corretor, Delúbio indicou João Vaccari para abrir-lhe algumas portas.

Para marcar a primeira conversa com Vaccari, Funaro ligou para o celular do sindicalista. O encontro, com a presença do deputado Costa Neto, deu-se na sede da Bancoop em São Paulo, na Rua Líbero Badaró. Na conversa, Vaccari contou que cabia a ele intermediar operações junto aos maiores fundos de pensão - desde que o interessado pagasse um "porcentual para o partido (PT)", taxa que variava entre 6% e 15%, dependendo do tipo de negócio, dos valores envolvidos e do prazo. E foi didático: Funaro e Valdemar deveriam conseguir um parceiro e uma proposta de investimento. Em seguida, ele se encarregaria de determinar qual fundo de pensão se encaixaria na operação desejada. O tesoureiro adiantou que seria mais fácil obter negociatas na Petros ou na Funcef. Referindo-se a Delúbio sempre como "professor", Vaccari explicou que o PT havia dividido o comando das operações dos fundos de pensão. O petista Marcelo Sereno, à época assessor da Presidência da República, cuidava dos fundos pequenos. Ele, Vaccari, cuidava dos grandes. O porcentual cobrado pelo partido, entre 6% e 15%, variava de acordo com o tipo do negócio. Para investimentos em títulos de bancos, os chamados CDBs, nicho em que o corretor estava interessado, a "comissão" seria de 12%. Funaro registrou a proposta na memória, despediu-se de Vaccari e foi embora acompanhado de Costa Neto.

Donos de uma fortuna equivalente à dos Emirados Árabes, os fundos de pensão de estatais são alvo da cobiça dos políticos desonestos graças à facilidade com que operadores astutos, como Funaro, conseguem desviar grandes somas dando às operações uma falsa aparência de prejuízos naturais impostos por quem se arrisca no mercado financeiro. A CPI dos Correios, que investigou o mensalão em 2006, demonstrou isso de maneira cabal. Com a ajuda de técnicos, a comissão constatou que os fundos foram saqueados em operações fraudulentas que beneficiavam as mesmas pessoas que abasteciam o mensalão. Funaro chegou a insinuar a participação de João Vaccari no esquema em depoimento à CPI, em março de 2006.  Disse que Vaccari era operador do PT em fundos de pensão, mas que, por ter sabido disso por meio de boatos no mercado financeiro, não poderia se estender sobre o assunto. Sabe-se, agora, que, na ocasião, ele contou apenas uma minúscula parte da história.

A história completa já havia começado a ser narrada sete meses antes a um grupo de procuradores da República do Paraná. Em agosto de 2005, emparedado pelo Ministério Público Federal por causa de remessas ilegais de 2 milhões de dólares ao exterior, Funaro propôs delatar o esquema petista em troca de perdão judicial. "Vou dar a vocês o cara do Zé Dirceu. O Marcelo Sereno faz operação conta-gotas que enche a caixa-d'água todo dia para financiar operações diárias. Mas esse outro aqui, ó, o nome dele nunca saiu em lugar nenhum. Ele faz as coisas mais volumosas", disse Funaro, enquanto escrevia o nome "Vaccari", em uma folha branca, no alto de um organograma. Um dos procuradores quis saber como o PT desviava dinheiro dos fundos. "Tiram dinheiro muito fácil. Rural, BMG, Santos... Tirando os bancos grandes, quase todos têm negócio com ele", disse. O corretor explicou aos investigadores que se cobrava propina sobre todo e qualquer investimento. "Sempre que um fundo compra CDBs de um banco, tem de pagar comissão a eles (PT)", explicou. "Vou dar provas documentais. Ligo para ele (Vaccari) e vocês gravam. Depois, é só ver se o fundo de pensão comprou ou não os CDBs do banco."

O depoimento de Funaro foi enviado a Brasília em dezembro de 2005, e o STF aceitou transformá-lo formalmente em réu colaborador da Justiça. Parte das informações passadas foi usada para fundamentar a denúncia do mensalão. A outra parte, que inclui o relato sobre Vaccari, ainda é guardada sob sigilo. VEJA não conseguiu descobrir se Funaro efetivamente gravou conversas com o tesoureiro petista, mas sua ajuda em relação aos fundos foi decisiva. Entre 2003 e 2004, os três bancos citados pelo corretor - BMG, Rural e Santos - receberam 600 milhões de reais dos fundos de pensão controlados pelo PT. Apenas os cinco fundos sob a influência do tesoureiro aplicaram 182 milhões de reais em títulos do Rural e do BMG, os principais financiadores do mensalão, em 2004. É um volume 600% maior que o do ano anterior e 1 650% maior que o de 2002, antes de o PT chegar ao governo. As investigações da polícia revelaram que os dois bancos "emprestaram" 55 milhões de reais ao PT. É o equivalente a 14,1% do que receberam em investimentos - portanto, dentro da margem de propina que Funaro acusa o partido de cobrar (entre 6% e 15%). Mas, para os petistas, isso deve ser somente uma coincidência...

Desde que começou a negociar a delação premiada com a Justiça, Funaro prestou quatro depoimentos sigilosos em Brasília. O segredo em torno desses depoimentos é tamanho que Funaro guarda cópia deles num cofre no Uruguai. "Se algo acontecer comigo, esse material virá a público e a República cairá", ele disse a amigos. Hoje, aos 35 anos, Funaro, formado em economia e considerado até por seus desafetos um gênio do mundo financeiro, é um dos mais ricos e ladinos investidores do país. Sabe, talvez como ninguém no Brasil, tirar proveito das brechas na bolsa de valores para ganhar dinheiro em operações tão incompreensíveis quanto lucrativas. O corretor relatou ao Ministério Público que teve um segundo encontro com Vaccari, sempre seguindo orientação do "professor Delúbio", no qual discutiu um possível negócio com a Funcef, mas não forneceu mais detalhes nem admitiu se as tratativas deram certo.

VEJA checou os extratos telefônicos de Delúbio remetidos à CPI dos Correios e descobriu catorze ligações feitas pelo "professor" a Vaccari no mesmo período em que se davam as negociações entre Funaro e o guardião dos fundos de pensão. O que o então tesoureiro do PT tinha tanto a conversar com o dirigente da cooperativa? É possível que Funaro tenha mentido sobre os encontros com Vaccari? Em tese, sim. Pode haver motivos desconhecidos para isso. Trata-se, contudo, de uma hipótese remotíssima. Quando fez essas confissões aos procuradores, Vaccari parecia ser um personagem menor do submundo petista. "Os procuradores só queriam saber do Valdemar, e isso já lhes dava trabalho suficiente", revelou Funaro a amigos, no ano passado. As investigações que se seguiram demonstraram que Funaro dizia a verdade. Seus depoimentos, portanto, ganharam em credibilidade. Foram aceitos pela criteriosa Procuradoria-Geral da República como provas fundamentais para incriminar a quadrilha do mensalão. Muitos tentaram, inclusive o lobista Marcos Valério, mas apenas Funaro virou réu-colaborador nesse caso. Isso significa que ele apresentou provas documentais do que disse, não mentiu aos procuradores e, sobretudo, continua à disposição do STF para ajudar nas investigações. Em contrapartida, receberá uma pena mais branda no fim do processo - ou será inocentado.

Durante a semana, Vaccari empenhou-se em declarar que, no caso Bancoop, ele e outros dirigentes da cooperativa são inocentes e que culpados são seus acusadores e suas vítimas. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o tesoureiro do PT disse que o MP agiu "para sacanear" e que os 31 milhões de reais sacados na boca do caixa pela Bancoop teriam sido "movimentações interbancárias". Os documentos resultantes da quebra do sigilo bancário da entidade mostram coisa diferente. Entre os cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco, o Bradesco, "a imensa maioria", segundo o MP, continha o código "SQ21" - que quer dizer saque. Algumas vezes aparecia a própria palavra escrita no verso (veja reproduções). Se, a partir daí, o dinheiro sacado foi colocado em uma mala, usado para fazer pagamentos, ou depositado em outras contas, não se sabe. A maioria dos cheques nominais ao banco (que também permitem movimentação na boca do caixa) não continha informações suficientes para permitir a reconstituição do seu percurso, afirma o promotor Blat. "De toda forma, fica evidente que se tratou de uma manobra para dificultar ou evitar o rastreamento do dinheiro", diz ele.

Na tentativa de inocentar-se, o tesoureiro do PT distribuiu culpas. Segundo ele, os problemas de caixa da cooperativa se deveram ao comportamento de cooperados que sabiam que os preços iniciais dos imóveis eram "estimados" e "não quiseram pagar" a diferença depois que foram constatados "erros de cálculo" nas estimativas. Ele só omitiu que, em muitos casos, os "erros de cálculo" chegaram a valores correspondentes a 50% do preço inicial do apartamento. Negar evidências e omitir fraudes. Essa é a lei da selva na política. Até quando?

Cheques à moda petista

VEJA obteve imagens de cheques que mostram a suspeitíssima movimentação bancária da Bancoop. O primeiro, no valor de 50 000 reais, além de exibir a palavra "saque" no verso, traz o código SQ21, que tem o mesmo significado (saque) e se repete na maioria dos cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma. O segundo destina-se à empresa Caso Sistemas de Segurança, do "aloprado" Freud Godoy, e pertence a uma série que até agora já soma 1,5 milhão de reais. O terceiro mostra repasse da Germany para o PT, em ano de eleição. A Germany, empresa de ex-dirigentes da Bancoop, tinha como único cliente a própria cooperativa

Clique para ampliar

Empreitadas-fantasma

Fernando Schneider

"Entre 2001 e 2004, eu dei 15 000 reais em notas frias à Bancoop. Diziam com todas as letras que o dinheiro era para as campanhas do Lula e da Marta."
Empreiteiro "João", que prestou serviços à Bancoop

Um empreiteiro de 46 anos que prestou serviços à Bancoop por dez anos repetiu à repórter Laura Diniz as acusações que passou oficialmente ao promotor do caso Bancoop. O empreiteiro conta como emitiu notas frias a pedido dos diretores da cooperativa, e ouviu que o dinheiro desviado seria destinado às campanhas de Lula à Presidência, em 2002, e de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, em 2004

Qual foi a primeira vez que a Bancoop pediu notas frias ao senhor?
Quando o Lula era candidato a presidente. O Ricardo (o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, responsável pelas construções da Bancoop) dizia que eram para a campanha. Nunca me forçaram a nada, mas, se você não fizesse isso, se queimava. A primeira nota fria que dei foi de 2 000 reais por um serviço que não fiz em um prédio no Jabaquara. A Bancoop precisava assinar a nota para liberar o pagamento. Quando era fria, liberavam de um dia para o outro. Notas normais demoravam de dez a quinze dias para sair.

Quantas notas frias o senhor deu?
Entre 2001 e 2004, dei 15 000 reais em notas frias à Bancoop. Isso, só eu. Em 2004, havia pelo menos uns 150 empreiteiros trabalhando para a cooperativa. Eles diziam com todas as letras que o dinheiro era para as campanhas do Lula e da Marta e ainda pediam para votar no Lula. Falavam que se ele ganhasse teríamos serviço para a vida inteira. Até disse aos meus empregados para votar nele.

O que o senhor sabe sobre a Germany?
Sei que eles ganharam muito dinheiro. Um dia, ouvi o Luiz Malheiro, o Alessandro Bernardino e o Marcelo Rinaldi (donos da Germany e dirigentes da Bancoop) festejando porque o lucro do mês era de 500 000 reais. Eles estavam bebendo uísque e comemorando num dia à tarde, na sede da Bancoop.

Mais vítimas da Bancoop

Fotos Fernando Schneider


"SE EU PAGAR MAIS, NÃO COMO"
"Eu e meu marido já colocamos todas as nossas economias no apartamento que compramos da Bancoop, mas as cobranças adicionais nunca param de chegar. Já gastamos 90 000 reais, eles querem mais 40 000. Paramos de pagar. Se pagar, não como. Eu me sinto revoltada e humilhada. Tenho muito medo de perder tudo."
Tânia Santos Rosa, 38 anos, ex-bancária


"TENHO 68 ANOS E MORO DE FAVOR"
"Comprei um apartamento em São Paulo, paguei os 78 000 do contrato, mas só ergueram duas das três torres prometidas. A minha parou no meio. Eles queriam mais 30 000 reais, mas eu não tinha mais de onde tirar dinheiro. Queria jogar uma bomba na Bancoop. Hoje, ainda moro de favor na casa da minha sogra, para escapar do aluguel."
Clóvis Pardo, 68 anos, aposentado


"VOU RECLAMAR PARA O LULA?"
"Comprei um apartamento da Bancoop em 2001 e ele nunca saiu do chão. Quitei tudo, os 65 000 reais, mas não tenho esperança de ver o prédio de pé. Queria o dinheiro de volta, mas acho que ele já foi todo gasto em campanhas do PT. Não tenho mais um centavo na poupança e ainda moro de aluguel. O que eu posso fazer? Reclamar para o Lula?"
Alda Cabral Ramos, 58 anos, representante comercial

2010-03-12

Fica tomando droga, tomando droga e acaba tomando um tiro

A MORTE DE GLAUCO


Por Reinaldo Azevedo

mestre_index
sexta-feira, 12 de março de 2010 | 20:15
Lamento, de verdade!, a morte do cartunista Glauco e de seu filho, Raoni. É evidente que os quadrinhos e mesmo a crônica jornalística perdem um crítico agudo, engraçado, que tinha um talento muito especial para ironizar costumes, especialmente os das comunidades que eu ousaria chamar de “hiper-urbanas”, típicas das metrópoles que perdem sua identidade e se tornam cidades do mundo. E ainda que não tivesse talento nenhum: trata-se de um episódio chocante, lamentável.


Não tenho a intenção de polemizar. O que parece evidente é que a tragédia acontece no âmbito da “igreja” fundada pelo cartunista, Céu de Maria, ligada ao consumo ritualístico do daime. E essa questão merece, creio, ser devidamente tratada.  Neste ponto, alguém poderia dizer para provocar o escrevinhador católico: “E quantas pessoas o crucifixo já matou? Você não pode suportar algumas mortes atribuídas ao daime?”
Não estou em busca de culpados — o responsável, tudo indica, já foi identificado. Mas há um fato que qualquer apuração jornalística poderá constatar, quando tivermos vencido a fase da consternação. O daime está atraindo — e seus ritualistas têm aceitado — pessoas com sérios desvios de comportamento, especialmente viciados em outras drogas, que procuram consumir a substância para atingir, sei lá, a “elevação” que as outras substâncias provocariam, porém sem os malefícios.


A turma do protesto releia antes de gritar: não estou afirmando que todos os adeptos da “religião” são consumidores de drogas ilícitas. Estou afirmando que esses grupos estão atraindo muitos viciados. Isso é fato. Não só isso: infelizmente, distúrbios psíquicos — que não se curam com milagres; nesse caso, Deus nos presenteou com os fármacos adequados — são vistos, às vezes, como falta de iluminação. Atravessando-se certo umbral da percepção, viria a paz…


O assassino de Glauco e de seu filho, tudo indica, se não era um doente, estava doente. A natureza do mal, não sei.  Consta que queria que o líder religioso asseverasse à sua família que era Jesus Cristo. Os adeptos do daime utilizam em seus rituais e em sua, vá lá, metafísica elementos oriundos do cristianismo de raiz popular. A transubstanciação cristã — ou católica — é bem outra e não conduz a nenhuma alteração de consciência. A apropriação de elementos cristãos em rituais dessa natureza não poderia ser mais arbitrária e infundada. Mas não vou debater isso, não.


Acho que é preciso pensar a tragédia com mais cuidado. O Conselho Nacional Antidrogas liberou o consumo do daime para fins ritualísticos. Ninguém tem o direito de ter dúvidas se acho isso um bom ou um mau caminho, dado o que escreve habitualmente sobre drogas. Mas o que interessa agora é recomendar prudência. Os que acreditam nas virtudes do daime como algo que eleva a consciência devem ter claro que ele não cura certas doenças psíquicas. A depender do caso, e poderá atestá-lo qualquer psiquiatra, o mal pode se agravar.


Tenho a impressão de que aí está a origem da tragédia que colheu a família Villas-Boas. E todos nós devemos lamentar profundamente o ocorrido. Mas sem dourar a pílula; sem dourar o daime. Os místicos advertem, muitas vezes, quando se debatem certos assuntos: “É melhor não mexer com essas coisas”, sugerindo que um mundo espiritual, mágico talvez, possa reservar surpresas terríveis, o famoso “desconhecido”. Católicos tendem a ser racionalistas. Não temo nunca o que vai além do homem, o outro mundo. Temo só o que está NO homem. Ele é a fonte de toda a maravilha e de todo horror. E é bom que as religiões todas, a minha e a de qualquer um, tenham noções dos seus limites.


Talvez o daime permita sensações que o Prozac, o Zyban ou Zoloft jamais proporcionarão. Mas será sempre um erro supor que uma infusão, a hóstia consagrada ou o amuleto de um pastor possam tomar o lugar daqueles remédios e do saber que os trouxe à luz.


Que Glauco e seu filho descansem em paz. E que os vivos escolham a razão que liberta.
PS: O advogado da família, Ricardo Handro, que se diz amigo de Glauco há 12 anos, deve explicações. Está na cara que sua versão para o crime, com entrevista gravada e tudo, era fantasiosa. Àquela altura, já havia conversado com outras pessoas da família e tinha condições plenas de saber o que tinha acontecido. Um profissional como ele sabe que uma versão descolada dos fatos atrapalha a investigação e poderia colaborar para manter o assassino impune.

LULA, O SEM CARÁTER


GREVE DE CARÁTER

Carlos Reis

11/03/2010

O presidente Lula completará daqui a 261 dias sua greve de caráter. Se ninguém fizer nada nosso presidente terminará seu mandato com caráter nenhum, completamente zerado. Isso já está sendo notado até por companheiros revolucionários notórios como José Carlos Dias que reclamou do exagerado amor do presidente pelo Torturador do Caribe. Fazendo pouco caso da morte de Zapata (que morreu por que quis), morto em uma greve de fome em Cuba, o obeso e inflado de ego Lula, que não recusa um bom vinho e uma boa janta, o que o povo cubano há 5 décadas nem sabe do que se trata, agora comparou os gladiadores morais – os que vão morrer por Cuba –  de bandidos. Traidor, Lula comparou José Dirceu, um bandido comum, a um dissidente cubano prevalecendo a sua opção preferencial pelos criminosos e pelo crime.

É de se perguntar se o séqüito lulista que apóia o regime cubano, gentalha como Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim, e a assaltante de cofres Dilma Roussef, ainda ficarão do lado do chefe e morrerão como ele, completamente vazios de caráter, ou farão algo para evitar o vexame definitivo. Todos já viram o cavaleiro da triste figura – Fidel Castro –, explodindo de saúde moral. Será que Lula quer ficar como ele?

Vejam abaixo, como comparação, a figura digna, ainda que esquálida, de Guillermo Fariña. Vejam que beleza de traços morais, que exemplo de força  e coragem. Lula nunca ficará tão gordo de caráter como ele.

Mas há quem diga, como eu, que essa greve de fome moral do nosso presidente não é de hoje. Pelo contrário, ela é a regra de sua vida. Lula cortou todas as gorduras de caráter ainda criança. Até nos tempos em que ele era um preso político, aliás, protegido, paparicado, e já temido pelos militares bobocas suicidas que permitiram a sua ascensão ao poder, prisão que lhe rende hoje 6 mil reais de indenização como preso político, ele se comportava como um canalha moral. Vejam o vídeo da entrevista que ele deu ao Augusto Nunes no site do Reinaldo Azevedo, onde se gaba da traição aos companheiros, como ele furava a greve de fome comendo paulistinhas. Já naquela época começava ele sua greve de fome moral e de caráter. Suas primeiras vítimas foram seus companheiros de prisão.

Mas também vejo em tudo isso um fim. Lula morrerá de inanição moral sucumbirá da AIDS moral que assola seu partido mensaleiro. Só será lembrado para algum Hall da Infâmia. Em alguma calçada da sujeira ficarão gravadas suas patas imundas.  Nas videotecas do futuro ele será o ícone, o líder do movimento dos sem caráter.

Mas ainda há tempo de fazer uma sucessora tão magra de virtudes éticas e morais quanto ele. Se tivéssemos uma oposição de verdade – e não esses arremedos com conduta duvidosa que estão por aí –, que perguntasse à Dilma Roussef o que ela acha dos presos políticos cubanos, se eles devem morrer de fome física, se ela concorda com o chefe, ainda teríamos uma esperança que as coisas fossem diferentes no Brasil. Mas não, os serras e os aécios também estão em greve de fome moral, se consumindo mutuamente aos olhos de todos, como reza na bíblia socialista